Guedes diz que vê reformas tributária e administrativa aprovadas até o fim do ano

Ministro da Economia também projeta a conclusão das privatizações dos Correios e da Eletrobras em 2021

  • Por Jovem Pan
  • 13/10/2021 19h56
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDOMinistro da Economia, Paulo Guedes afirmou que o Brasil irá doar doses de vacinas para países vizinhos

Ministro da Economia, Paulo Guedes disse nesta quarta-feira, 13, acreditar que até o fim do ano as reformas administrativa e tributária serão aprovadas pelo Congresso. Ao elencar uma série de transformações do país, o chefe da equipe econômica ainda afirmou que em 2021 serão concluídas as privatizações dos Correios e da Eletrobras. “A democracia brasileira vai continuar surpreendendo. A democracia brasileira é bastante barulhenta e vibrante. Você consegue ouvir daqui, há muitas pedras sendo jogadas de um lado para o outro, mas tudo dentro do campo democrático”, disse em entrevista ao Atlantic Council, nos Estados Unidos. O ministro também afirmou que o governo vai distribuir vacinas contra a Covid-19 para países da América Latina até dezembro, prazo estimado para a imunização completa da população adulta brasileira. Sem falar quais países receberão as doses, Guedes citou a importância da vacinação para ilhas do Caribe que possuem a economia baseada no turismo e que a imunização é importante para que o crecimento econômico da região não evolua de forma desigual. “Vamos começar a vacinar os nossos vizinhos, vamos ajudar os nossos vizinhos”, afirmou.

Ao comentar as ações do país no combate aos efeitos econômicos gerados pela pandemia do novo coronavírus, Guedes disse que a distribuição do auxílio emergencial permitiu a maior redução da pobreza no país em mais de 40 anos. “Criamos a transferência direta de renda para as pessoas e foi um impacto fabuloso”, afirmou. Segundo o ministro, o Brasil gastou o dobro dos países emergentes e 10% a mais do que as economias avançadas. O benefício, porém, reconheceu, levou ao aumento da inflação. “Começamos a ver o crescimento dos preços em setores como habitação e comida”, afirmou. O ministro relativizou a aceleração a 10,25% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos 12 meses encerrados em setembro — o maior registro desde fevereiro de 2016 —, afirmando que a alta da inflação é um fenômeno global. “Nos Estados Unidos costumava ser zero, e agora está em 5%. No Brasil costumava ser 4%, e está em 9%.”

O chefe da equipe econômica voltou a afirmar que a economia brasileira vai crescer acima de 2% em 2022, visão muito mais otimista do que a do mercado financeiro e a de outras entidades. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou as projeções de expansão do PIB do ano que vem para 1,5%. Segundo Guedes, a previsão está sofrendo interferência das inseguranças do cenário internacional. Para 2020, a instituição chegou a prever queda de 9,1% do PIB, enquanto o resultado oficial apontou retração de 4,1%. “Eles vão cometer um erro de novo. Uma das lições da economia é que quando se tem muitas incertezas e choques, a estabilidade dos métodos de previsão fica completamente perdida”, disse. Guedes também afirmou que espera que os EUA renovem o apoio da indicação do Brasil para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), considerado o clube dos países ricos. “Estamos fazendo o nosso dever de casa, trabalhando duro e conversando com os americanos”, disse o ministro ao citar evoluções nos sistemas digitais do governo e os esforços para a redução dos impostos das empresas. O chefe da equipe econômica ainda disse que o Brasil é o terceiro maior destino de investimentos no mundo e que o país está aberto para negócios. “Muitas empresas estão mudando as suas posições geográficas, saindo da China e indo para América do Sul. Pensem no Brasil.”