Ibovespa cai com risco fiscal e cenário externo; dólar se aproxima de R$ 5,60

Falta de consenso para aprovação da PEC Emergencial e expectativa de aumento da inflação nos EUA pressionam o humor dos mercados no último dia de negociações de fevereiro

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2021 11h15 - Atualizado em 26/02/2021 14h44
Adriana Toffetti/Estadão ConteúdoDólar recua após decisão do Fed em manter taxa de juros entre 0% e 0,25%

O mercado financeiro brasileiro opera em queda nesta sexta-feira, 26, com o risco da retomada do auxílio emergencial sem que medidas de austeridade sejam aprovadas no Congresso. No cenário externo, Bolsas nos Estados Unidos e Europa também registram queda por conta das expectativas de aumento da inflação norte-americana. Por volta das 14h15, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuava 0,55%, aos 111.637 pontos. O pregão fechou esta quinta-feira, 25, com queda de 2,95% aos 112.256 pontos, o menor patamar desde o início de dezembro. O dólar opera o último dia do mês com alta de 1,07%, a R$ 5,573. Na máxima, a divisa norte-americana bateu R$ 5,583, enquanto a mínima não passou de R$ 5,492. A moeda fechou a véspera com alta de 1,72%, cotada a R$ 5,514.

O mercado segue acompanhando as discussões em Brasília para a retomada do auxílio emergencial. A PEC Emergencial, que abre espaço no orçamento para as novas rodadas do benefício, deveria ter sido votada no Senado nesta quinta-feira, 25, mas a votação foi adiada pela falta de consenso entre as lideranças. Também nesta quinta, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, ressaltou que o auxílio deve vir acompanhado das contrapartidas de cortes de gastos obrigatórios. “Sei que o Congresso vai fazer a coisa certa e consegue enxergar isso: que é fundamental andar com as duas coisas [auxílio emergencial e contrapartidas] concomitantemente”, disse. “Para andar com o auxílio, que tem um custo, essa contrapartida, que garante uma sustentabilidade no futuro, é o que vai permitir que as taxas de juros continuem baixas, que o Brasil tenha boa percepção de risco [no mercado financeiro]”, afirmou Funchal. Investidores temem que o texto seja dividido e que o benefício seja liberado antes que o Legislativo chancele as cláusulas de calamidades semelhantes à PEC de Guerra aprovada em 2020 e que tira a despesa do limite do teto de gastos. Lideranças do Congresso se opõem à aprovação de contrapartidas para a liberação do benefício e classificaram a imposição do governo federal como “chantagem.” A expectativa é que o texto seja colocado em votação na próxima terça-feira, 2.

Investidores também analisam o avanço do desemprego para 13,5%, em 2020, o maior desde 2012, segundo dados dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O Brasil fechou o ano passado com população desocupada de 13,9 milhões de pessoas. O resultado para o ano interrompe a queda na desocupação iniciada em 2018, quando ficou em 12,3%. Em 2019, o desemprego foi de 11,9%. De acordo com o IBGE, o índice recuou para 13,9% no quarto trimestre, depois de atingir 14,6% nos três meses anteriores. Apesar da queda, o número representa crescimento de 19,7% em relação ao mesmo trimestre de 2019, quando o número era de 11,6 milhões de desempregados.