José Mauro Coelho toma posse como presidente da Petrobras e defende manutenção da política de preços

Modelo já foi criticado por Bolsonaro; novo comandante também cita ‘responsabilidade social’ da estatal e sinaliza investimentos em projetos ambientais e de direitos humanos

  • Por Jovem Pan
  • 14/04/2022 16h26 - Atualizado em 14/04/2022 19h30
Divulgação/Ministério de Minas e Energia José Mauro Ferreira Coelho é o novo presidente da Petrobras José Mauro Ferreira Coelho é o novo presidente da Petrobras

José Mauro Ferreira Coelho tomou posse como presidente da Petrobras em cerimônia nesta quinta-feira, 14, após aprovação do conselho de administração da estatal. O engenheiro iniciou o discurso agradecendo ao presidente Jair Bolsonaro (PL) pela indicação para ocupar o cargo, e ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, por ter sugerido seu nome ao chefe do Executivo. “Trabalharei com toda dedicação e afinco para bem cumprir essa importante missão”, declarou. Coelho elogiou a política de preços da Petrobras, já criticada por Bolsonaro. Ele destacou que os objetivos da empresa devem ser a eficiência, competitividade e o aumento da produção. 

“A prática de preços de mercado é condição necessária para a criação de um ambiente de negócios competitivo, para a atração de investimentos, de novos agentes econômicos no setor, ampliação da infraestrutura no país e a garantia do abastecimento. Tal cenário leva ao aumento da concorrência com benefícios para o consumidor brasileiro”, disse. O novo presidente da Petrobras também sinalizou que deve investir em projetos ambientais e de direitos humanos. Ele reafirmou o compromisso de reduzir as emissões de poluentes e gases. “Não podemos nos esquecer da nossa responsabilidade social. Investiremos em projetos socioambientais, programas relacionados aos direitos humanos, e solução de problemas ambientais e sociais”, defendeu. 

Coelho ressaltou que a empresa tem o objetivo de assumir a quinta posição entre os países que mais produzem petróleo até 2030 e disse que a redução da dívida da empresa abre espaço para mais investimentos. “É importante lembrar que, em 2014, a dívida bruta da Petrobras era de cerca de 160 bilhões de dólares, uma das maiores do mundo corporativo. Hoje, com o novo modelo de gestão da empresa, essa dívida é inferior a 160 bilhões. A redução da dívida abre espaço para que façamos maiores investimentos”, celebrou. Por fim, Coelho afirmou que sua gestão deve priorizar o aperfeiçoamento da comunicação externa. “Buscaremos maior interação com a sociedade. Temos que entender a importância que a empresa tem para o brasileiro e, muitas vezes, não conseguimos ter uma comunicação que chegue de forma palatável ao povo brasileiro. Queremos maior interação com o Congresso, com o Executivo e com os poderes Executivos e Legislativos dos Estados. É uma Petrobras que trabalhará um pouco mais para fora também”, acrescentou. 

Quem é José Mauro Coelho

Ferreira Coelho tem longa experiência no setor de combustíveis. Formado em química industrial, tem especialização em ciência dos materiais, mestrado em engenharia dos materiais e Doutorado em Planejamento Energético pelo Programa de Planejamento Energético (PPE). Ele já havia trabalhado no setor público como secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia entre abril de 2020 e outubro de 2021, diretor de estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (ligada ao MME), entre outros cargos que ocupou desde 2007 até 2020. Ele ainda é presidente do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás desde 2020.

Na área acadêmica, o novo presidente da estatal foi professor universitário de graduação e pós-graduação entre 1995 e 2007 e tem três livros e mais de 30 artigos publicados sobre o setor de petróleo e gás. Agora, Ferreira Coelho terá o desafio de manter as contas da Petrobras equilibradas enquanto evita um aumento acentuado nos preços dos combustíveis diante de um cenário econômico e internacional desafiador, com a guerra na Ucrânia, o valor do barril de petróleo ainda alto e a inflação preocupante no Brasil. O aumento no preço dos combustíveis levou a um atrito entre Silva e Luna e o presidente Jair Bolsonaro (PL), que resultou na exoneração do general. Antes de Ferreira Coelho, o governo havia indicado Adriano Pires, mas ele recusou por não poder conciliar a estatal com seu cargo de presidente em uma consultoria do setor de infraestrutura.