Maioria dos brasileiros teme fraude ou violação de dados pessoais

Levantamento da Febraban também mostra que 59% da população acredita que a privacidade das suas informações se tornou um mito

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2021 16h50 - Atualizado em 02/07/2021 18h28
Shahadat Rahman/UnsplashPesquisa mostra que 91% dos brasileiros acredita que fraudes e violações de dados aumentaram durante a pandemia

A maior parte dos brasileiros perdeu a confiança na preservação dos seus dados pessoais e teme se tornar vítima de golpes e fraudes, apontou uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada nesta sexta-feira, 2. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados acreditam que a privacidade de suas informações se tornou um mito, já que empresas, de alguma forma, conseguem acesso a dados dos seus usuários. Já 86% responderam temer ser vítima de fraudes ou violações dos seus dados pessoais, sendo que 53% afirmaram que tem muito medo. A percepção está de acordo com outras informações levantadas pela pesquisa. Para 91% dos entrevistados, estes tipos de crimes aumentaram durante a pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a pesquisa, nos últimos 12 meses, os próprios entrevistados ou familiares foram vítimas destas abordagens, sendo as situações mais comuns aquelas envolvendo recebimento de mensagens ou ligação telefônica com solicitação fraudulenta. As abordagens com alvo em dados pessoais ou bancários corresponderam a 43% das tentativas. Também foram citadas cobranças fraudulentas ou compras indevidas em seu cartão de débito ou crédito (29%); invasão do e-mail ou das redes sociais, com alguém assumindo o controle sem permissão (18%); clonagem de celular ou WhatsApp (18%); tentativa de abertura de linha de crédito ou solicitação de empréstimo usando seu nome (15%); e invasão e acesso a dados bancários (14%).

As ações tomadas por governos e empresas não parecem o suficiente para aplacar a desconfiança dos usuários. Embora 42% percebam uma evolução positiva na segurança de seus dados pessoais, nos últimos cinco anos, um terço (33%) acredita que estão menos seguros e 22% não identificam alteração. Já para os próximos cinco anos, 54% têm a expectativa de avanço na segurança e apenas 22% apostam que esses dados estarão ainda menos seguros. A maior parte dos brasileiros (56%) também acredita que os riscos existentes no fornecimento de dados pessoais a empresas e instituições superam os benefícios recebidos. Para 79% dos entrevistados, tudo (25%) ou a maior parte (54%) das operações que eles realizam de forma online ou pelo celular é monitorada ou seus dados pessoais são coletados por anunciantes e empresas. Para 60% os órgãos públicos monitoram e coletam todas (20%) ou a maior parte (40%) das informações a partir das atividades das pessoas online ou no celular.

“Segurança digital é um tema que a sociedade precisa encarar de frente e já está fazendo, pois diariamente esses crimes afetam pessoas e empresas, ganham espaço no noticiário econômico, político e policial envolvendo não só o cidadão, mas também grandes corporações e instituições públicas e privadas”, diz o presidente da Febraban, Isaac Sidney. “Um bom indicador da pesquisa é que o brasileiro está atento, sobretudo quanto ao uso que as empresas privadas fazem dos seus dados pessoais”. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 25 de junho, com três mil pessoas nas cinco regiões do Brasil.