Mercado prevê inflação mais alta em 2021 e sobe a projeção da Selic para 6,25%

Boletim Focus também mostra maior expectativa com a recuperação da economia e otimismo com o fortalecimento do real ante o dólar

  • Por Jovem Pan
  • 14/06/2021 12h16 - Atualizado em 14/06/2021 16h52
Marcello Casal Jr/Agência BrasilFontes consultadas pelo Banco Central afastam previsão para a inflação do teto da meta de 2021

O mercado financeiro revisou para cima a expectativa da inflação em 2021, ao mesmo tempo que renovou a previsão para a Selic, o desempenho da economia e o câmbio, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 14. Economistas e entidades consultadas pelo Banco Central passaram a ver o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira, a 5,82%, ante 5,44% na semana passada, e 5,15% há um mês. Esta foi a décima revisão seguida para cima. A autoridade monetária persegue a meta inflacionária de 3,75%, com limite máximo de 5,25% e mínimo de 2,25%. O IPCA foi a 0,83% em maio, pressionado principalmente pelo aumento da tarifa da energia elétrica. No acumulado de 12 meses, a inflação somou alta de 8,06%. O Boletim Focus também mostrou nova previsão para a Selic, o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A previsão para a taxa de juros passou para 6,25% ao ano. Na semana passada, a estimativa batia em 5,75%, enquanto há um mês era de 5,50%. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulga nesta quarta-feira, 16, os novos rumos da Selic após a alta de 0,75 ponto percentual, que jogou a taxa para 3,5% ao ano, na última reunião. A expectativa do mercado é para um novo acréscimo da mesma magnitude, elevando o índice para 4,25% ao ano.

As fontes do Banco Central também mostraram maior otimismo para a recuperação da economia brasileira em 2021. A projeção do Produto Interno Bruto (PIB) aumentou pela oitava semana seguida e passou para 4,85%, ante previsão de 4,36% na semana passada, e 3,45% há um mês.  A economia nacional cresceu 1,2% no primeiro trimestre, valor acima do esperado pelos analistas. Dados divulgados nas últimas semanas já mostravam a resiliência da atividade econômica, a despeito da piora da pandemia do novo coronavírus e a disparada do número de mortes. Os números levaram a uma série de revisões do mercado para o desempenho da economia, com previsões apontando avanço de até 5,5% em 2021. A projeção para o câmbio também foi alterada, com economistas e entidades mais confiantes no fortalecimento da moeda brasileira. As análises apontam o dólar a R$ 5,18 até o fim do ano. Na semana passada, a estimativa era de R$ 5,30, mesmo valor observado há um mês. A divisa norte-americana começou a semana em queda, cotada na casa de R$ 5,06.