Mercado revisa PIB de 2021 e 2022 para baixo e prevê alta da inflação e na Selic

Pesquisa do Banco Central aponta o rebaixamento da expectativa da economia no ano que vem para 1%

  • Por Jovem Pan
  • 08/11/2021 11h38
ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Açougue Mercado revisa novamente a inflação para cima em 2022 e 2023

O mercado financeiro voltou a revisar para baixo a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e de 2022, ao mesmo tempo que reforçou a estimativa de alta da inflação e na taxa Selic, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 8, pelo Banco Central (BC). A mediana para o desempenho da economia passou para alta de 4,93% em 2021, ligeiramente abaixo da expectativa de 4,94% na semana passada, na quarta queda seguida da projeção. Para 2022, os analistas consultados pelo BC rebaixaram a estimativa com o PIB para 1%, contra projeção de 1,20% da edição anterior. A mudança na expectativa segue a tendência de bancos, casas de análises e outras instituições de mudar para baixo as projeções da economia no próximo ano. A onda de revisões é reflexo da expectativa de elevação dos juros em respostas ao aumento do risco fiscal após o patrocínio do governo federal à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que adia o pagamento de dívidas da União e muda regras do teto de gastos. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em primeiro turno na semana passada e deve ser colocada novamente em votação nesta terça-feira, 9. Se aprovada, a medida segue para o Senado.

O Boletim Focus também mostra nova expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira. Para este ano, a projeção foi a 9,33%, contra 9,17% na edição passada. Foi a 31ª semana seguida de revisão para cima. O Banco Central tem meta inflacionária da 3,75% neste ano, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. Já para 2022, o mercado estima que o IPCA alcance 4,63%. Na semana anterior, a mediana apontava para alta de 4,55%. No ano que vem, a autoridade monetária deve perseguir a meta de 3,5%, com variação entre 2% e 5%. O IPCA avançou 1,16% em setembro, o maior registro para o mês desde 1994. O resultado levou o acumulado dos últimos 12 meses a 10,25%, a primeira vez que o indicador oficial da inflação ficou em dois dígitos desde fevereiro de 2016. Os dados de outubro serão revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 10.

A aceleração da inflação levou o mercado a estimar aumento da taxa de juros em 2022. Agora, os analistas esperam que a Selic encerre o ano que vem a 11%, contra projeção de 10,25% na semana passada. Para 2021, o Boletim Focus manteve a estimativa de 9,25%. O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a escalada dos juros em outubro ao acrescentar 1,5 ponto e elevar a Selic a 7,75% ao ano. Em ata, a autoridade monetária indicou aumento da mesma magnitude na reunião de dezembro, a última de 2021, fechando a taxa a 9,25% ao ano. O mercado estima que o BC deve seguir a alta nas primeiras reuniões de 2022 subir a taxa de juros para acima de dois dígitos já no primeiro trimestre. O BC reconhece que a estratégia deixa a Selic em campo contracionista, ou seja, quando os juros prejudicam o desenvolvimento da atividade econômica. Para o câmbio, a expectativa do Boletim Focus manteve a projeção da cotação de R$ 5,50 neste ano e em 2022. O dólar abriu a semana em alta, cotado na casa de R$ 5,56.