Paulo Guedes cancela agenda em SP em meio à polêmica com Auxílio Brasil

Ministro fica em Brasília e acompanha desdobramentos para a definição do novo programa social; Bolsonaro confirmou que benefício será de R$ 400 e que respeitará o teto de gastos

  • Por Jovem Pan
  • 20/10/2021 13h31 - Atualizado em 20/10/2021 21h07
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilMinistro da Economia, Paulo Guedes, acompanha desdobramentos da definição do novo programa social

O ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou a participação em dois eventos na cidade de São Paulo nesta quarta-feira, 20, em meio aos entraves para o lançamento do Auxílio Brasil de R$ 400. A agenda do ministro foi atualizada e ele ficará no seu escritório em Brasília. Equipes do governo buscam uma forma de garantir o aumento do substituto do Bolsa Família e respeitar o teto de gastos, a regra de que limita os custos da União ao Orçamento do ano anterior, mais a inflação. Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), confirmou que o benefício será de R$ 400, mas que ficará no limite da trava fiscal. “Temos a responsabilidade de fazer com que esses recursos venham do próprio Orçamento da União. Ninguém vai furar o teto, ninguém vai fazer nenhuma estripulia no Orçamento”, disse em evento na cidade de Russas, no Ceará. O presidente também confirmou que o novo valor será distribuído para 17 milhões de famílias. Segundo informações, o Planalto pretendia usar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios para tirar aproximadamente R$ 30 bilhões do teto de gastos. O benefício deve ser estendido até o fim de 2022, com custo total de R$ 90 bilhões. A retirada do valor do teto de gastos contrariou a equipe comandada por Guedes e gerou forte repercussão negativa no mercado financeiro.

A proposta original previa elevar o Auxílio Brasil para R$ 300, mas a equipe econômica foi pressionada para ceder mais. O novo benefício seria composto por cerca de R$ 190 já pagos pelo Bolsa Família, mais cerca de R$ 110 via aumento temporário até dezembro de 2022 — prazo que mantém a medida dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal —, e um acréscimo de R$ 100 fora do teto. O novo projeto estava previsto para ser apresentado na tarde de ontem, mas o evento foi cancelado diante das críticas. Não há previsão para nova divulgação. A sessão da comissão especial da Câmara para votar a PEC dos Precatórios também estava agendada para esta terça, mas foi transferida para hoje para que o relator, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), fizesse alterações no seu parecer. A medida, que visa criar um limite de R$ 40 bilhões aos pagamentos das dívidas da União que não cabem mais recursos judiciais, é fundamental ao governo federal para encontrar espaço dentro do teto de gastos para o pagamento do Auxílio Brasil.