Por que o leilão tem pouco efeito para conter a alta do dólar?
Assistimos a estes dias uma disparada do dólar. Segundo integrantes do governo e alguns jornalistas da grande mídia, a escalada da moeda norte americana é fruto de um “ataque especulativo”. Bobagem! Aliás, “especulação” é um termo utilizado de maneira equivocada pela mídia, confundido muitas vezes com “manipulação”. Especulação nada mais é que fazer uma aposta para onde vai o preço. Já manipulação é utilizar artifícios para induzir o preço para um determinado patamar.
O dólar sobe porque negócios têm sido fechado neste patamar. Há pessoas interessadas em comprar a R$ 6,30 e outras interessadas a vender a este preço. Essa óbvia constatação foi, inclusive, endossada pelo futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Graças a Deus! Na verdade, a guinada do dólar obedece a fundamentos econômicos. Há três fatores que afetam o preço do dólar: oferta e demanda, diferencial de taxa de juros entre Brasil e EUA, e expectativas macroeconômicas.
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De um lado, o Banco Central aumenta a oferta de dólares em leilões e eleva os juros, tornado os investimentos na renda fixa brasileira mais atrativos (maior demanda por reais). Do outro, as expectativas macroeconômicas dos investidores pioram, impulsionando a alta da moeda norte americana.
Em resumo, a piora da expectativa fiscal (dólar para cima) se sobrepõe a elevação de juros e aos leilões de venda, que deveriam puxar a moeda americana para baixo. É isso que explica a guinada do dólar. O resto é especulação do governo e da mídia.
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