MDIC diz que 57% das exportações do Brasil aos EUA não serão afetadas pela nova tarifa
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse nesta quinta-feira (16) que a tarifa adicional de 25% não afetará cerca de 57% das exportações do Brasil aos Estados Unidos. Em entrevista a jornalistas, reiterou que o governo federal dará atendimento prioritário aos setores atingidos pela sobretaxa.
Por outro lado, Rosa disse que a tarifa adicional afeta os setores de madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, mobiliário, produtos de cerâmica e açúcar. Segundo o ministro, corresponde a cerca de 18% das exportações brasileiras ou US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre os dois países. O percentual tem como referência as vendas ao exterior de 2024.
O chefe da MDIC afirmou que o governo federal intensificará o programa de diversificação do mercado para amenizar os efeitos da sobretaxa. De acordo com Rosa, por meio da iniciativa, a participação dos Estados Unidos no mercado exportador brasileiro caiu de 12,1% para 9,4%.
Tarifa adicional de 25%
Também nesta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Entretanto, alguns produtos ficaram isentos da sobretaxa, como o etanol, a carne bovina e o café.
A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301, que apurou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento. Em conversa por telefone com jornalistas, na quarta-feira (15), o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.
Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
- Falhas no combate à corrupção;
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.
O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.
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