Prévia da inflação fica em 1,14% em setembro, o maior índice para o mês desde 1994

Aumento no IPCA-15 foi influenciado pela gasolina e energia elétrica no período; taxa soma alta de 7,02% no ano

  • Por Jovem Pan
  • 24/09/2021 10h00 - Atualizado em 24/09/2021 11h05
Fernando Frazão/Arquivo Agência BrasilAlém da gasolina, outros combustíveis como o etanol, gás veicular e óleo diesel também subiram no período

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou aumento de 0,25 ponto percentual no mês de setembro, chegando a 1,14%. O índice divulgado nesta sexta-feira, 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o maior desde fevereiro de 2016, quando a taxa foi de 1,42%, e o maior para um mês de setembro desde 1994. No ano, o índice acumula alta de 7,02%, enquanto a soma dos últimos 12 meses foi a 10,05%. Em setembro de 2020 a taxa foi de 0,45%. Segundo dados divulgados pelo IBGE, oito dos nove segmento de produtos e serviços pesquisados registram elevação no mês, sendo que o destaque fica, novamente, para o grupo de Transporte, com variação mensal de 2,22% e alta acumulada em 17,25% em 12 meses. Entre os itens que influenciaram o aumento estão, por exemplo, os combustíveis (3%), entre eles a gasolina, que subiu 2,85%. Os preços de outros combustíveis, como o etanol (4,55%), gás veicular (2,04%) e óleo diesel (1,63%), também aumentaram no período. Ainda entre as altas do setor, as passagens aéreas tiveram elevação de 28,76%.

Em alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio acelerou de 1,29% em agosto para 1,51% em setembro. Já o grupo habitação foi puxado mais uma vez pela alta na energia elétrica (3,61%), embora ela tenha desacelerado em relação a agosto (5%). No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh. Para o cálculo do IPCA-15 foram considerados preços coletados entre 14 de agosto e 14 de setembro de 2021 deste ano, sendo comparados aos valores vigentes de 14 de julho a 13 de agosto de 2021.

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a subir, nesta quarta-feira, 22, a taxa básica de juros da economia brasileira, passando a Selic de 5,25% para 6,25% ao ano. Foi a segunda vez consecutiva que a autoridade monetária aplica aumento de 1 ponto percentual, levando a Selic para o maior patamar desde junho de 2019. O movimento ocorre na esteira da degradação das expectativas para a inflação deste ano e em 2022. O mercado financeiro espera que o IPCA encerre 2021 com avanço de 8,35% — bastante acima da meta de 3,75% perseguida pelo BC. Em 2022, as expectativas apontam para avanço de 4,1%. Para ano que vem, a autoridade monetária tem meta de 3,5%. A alta do BC aproxima a Selic do patamar neutro — quando não estimula nem freia as atividades econômicas —, estimada em 6,5% ao ano. Porém, o mercado financeiro espera que a autoridade monetária mantenha o ritmo de aumento nas próximas reuniões e leve a taxa para 8,25% ao fim de 2021, e 8,5% em 2022.