Samy Dana: Caged trouxe boa notícia, mas também incerteza sobre o futuro

Em junho, Brasil fechou 10.984 postos de trabalho, o pior resultado para o mês desde 2016; apesar de não faltarem análises de que o desemprego deve subir, a sensação é que o pior já passou

  • Por Samy Dana*
  • 29/07/2020 07h00 - Atualizado em 30/07/2020 09h44
Marcos Santos/USP ImagensMercado esperava um corte de vagas até quase vinte vezes maior do que o ocorrido em junho

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira, 28, trazem uma boa notícia, mas também uma incerteza no horizonte. A boa notícia: segundo o Ministério da Economia, o Brasil fechou 10.984 vagas em junho – foi o pior resultado para o mês desde 2016, quando foram cortadas mais de 91 mil vagas. É boa notícia porque o mercado esperava uma perda até quase vinte vezes maior, de 200 mil empregos. Ou seja, quase 190 mil demissões a menos do que as projeções. Desde o começo da pandemia, foi o menor número de demissões em um mês. Em maio, foram 350.303 vagas a menos. E em abril e março, somados, os empregos fechados passaram de 1,1 milhão. Graças ao resultado de junho, o primeiro semestre terminou com menos 1,198 milhão de vagas em todo o país – foram registradas 6,7 milhões de contratações contra 7,9 milhões de desligamentos.

  • Março/20  -259.917
  • Abril    -918.296
  • Maio    -350.303
  • Junho  -10.984

O resultado tem duas explicações. A partir de abril o governo começou a pagar o auxílio emergencial, de R$ 600, a desempregados e trabalhadores informais. Além do auxílio, há a influência, maior até, do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permite às empresas reduzirem jornada de trabalho e salários ou a suspensão do contrato dos empregados. Programa que se mostrou uma alternativa para evitar demissões. Foram 15 milhões de contratos firmados. Em tese, 15 milhões de pessoas que poderiam perder o emprego, mas não perderam. Em relatório nesta terça-feira, o banco Safra diz que o Caged sinaliza que o pior da crise pode ter passado e que os índices de emprego devem melhorar nos próximos meses. Mas também aponta que a grande dúvida é como o desemprego vai se comportar com o fim do auxílio, que vai até agosto.

Analistas esperam que mais pessoas voltem a procurar trabalho, o que inevitavelmente vai pressionar para cima a taxa de desempregados. A isso se soma a própria incerteza causada pela epidemia da Covid-19. Se pode ou não ter novos isolamentos devido ao aumento das contaminações e o impacto na economia. Não faltam análises de que o desemprego deve subir. Incerteza que preocupa. Mas agora pelo menos a sensação é a de que o pior já passou.

*Samy Dana é economista e colunista na Jovem Pan.