Vendas no comércio sobem 1,2% em julho e atingem nível recorde

Artigos de uso pessoal e doméstico puxam o melhor desempenho em 21 anos; setor acumula alta de 6,6% em 2021

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2021 11h11
KAREN FONTES/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDOPrevisão para a recuperação da economia brasileira em 2021 e 2022 foi revisada para baixo pelo mercado financeiro

As vendas no comércio cresceram 1,2% em julho, na comparação com o mês anterior, e bateram recorde da série histórica iniciada há 21 anos. Este foi o quarto mês seguido de taxa positiva, informou nesta sexta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o varejo acumula crescimento de 6,6%, e nos últimos doze meses, cresceu 5,9%. A média móvel trimestral cresceu 1,1% frente ao trimestre encerrado em junho. Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista subiu 5,7% frente a julho de 2020, a quinta taxa positiva consecutiva.  “Apesar do avanço, o movimento intrasetorial do comércio é muito heterogêneo. Algumas atividades ainda não conseguiram recuperar as perdas na pandemia, como é o caso de equipamentos e material para escritório, que ainda está 26,7% abaixo do patamar pré-pandemia, ou combustíveis e lubrificantes, que está 23,5% abaixo”, afirma o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE registraram avanços. O setor de artigos de uso pessoal e doméstico puxou o bom desempenho, com alta de 19,1%. “Vemos uma trajetória de recuperação dessa atividade, que acaba por fazer grandes promoções e aumentar a sua receita bruta de revenda, num novo momento de abertura e maior flexibilização do isolamento social, o que gera maior aumento da demanda”, diz Santos. Tecidos, vestuário e calçados (2,8%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%) também avançaram no período. Já hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%) ficaram estáveis. Por outro lado, as atividades que reduziram o volume de vendas foram livros, jornais, revistas e papelaria (-5,2%), móveis e eletrodomésticos (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,3%). No comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o volume de vendas cresceu 1,1% em julho. O setor de veículos registrou avanço de 0,2%, enquanto material de construção recuou 2,3%.

Na comparação com junho, o comércio varejista teve variações positivas em 19 das 27 unidades da federação, com destaque para os estados de Rondônia (17,5%), Santa Catarina (12,5%) e Paraná (11,1%). No campo negativo, as maiores quedas ficaram com os estados de Minas Gerais (-2,1%), Rio Grande do Norte (-1,5%) e Amazonas (-1,5%). Já no comércio varejista ampliado, a variação positiva em julho foi seguida por 15 unidades da federação, sendo as principais Santa Catarina (6,7%), Paraná (6,2%) e Mato Grosso do Sul (5,3%). Entre as quedas, pressionando negativamente, destacam-se Maranhão (-2,6%), Rio Grande do Norte (-2,2%) e Sergipe (-2,2%).