EI executa clérigo muçulmano que criticava o grupo no Iraque

  • Por Agencia EFE
  • 11/08/2015 19h19

Mossul (Iraque), 11 ago (EFE).- O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) executou nesta terça-feira um clérigo muçulmano por desobedecer as ordens da organização na cidade de Mossul, no norte do Iraque, principal reduto dos jihadistas no país.

O presidente da organização de clérigos do Iraque, Sheikh Ahmed Al Mauli, informou à Agência Efe que o religioso foi fuzilado hoje em Mossul, depois de mais de oito meses de cativeiro sob custódia do EI.

Segundo Al Mauli, o grupo jihadista se negou a entregar o corpo da vítima, identificada como Salem al Yahishi.

O clérigo era um dos mais críticos em relação à ideologia e à atuação do EI, que conquistou a cidade de Mossul em junho de 2014 e desde então impõe uma versão rígida da lei islâmica a seus residentes, com violentas punições.

Al Yahishi tinha trabalhado em várias mesquitas dessa cidade e havia sido pregador na televisão.

Nascido em 1965, se opôs ao pensamento radical e liderou a luta contra essa tendência desde 2006, o que o tornou alvo de uma tentativa de assassinato com bomba em frente a sua casa em Mossul, em 2008.

O EI executou cinco clérigos muçulmanos desde que tomou o controle de Mossul no ano passado e já sequestrou mais de 25 religiosos, entre eles ulemás e xeques, que foram libertados posteriormente.

Além disso, o grupo proibiu mais de 100 xeques de darem sermões na mesquitas da cidade e os substituiu por outros que seguiam a ideologia da organização no ano passado.

Pelo menos 21 jihadistas morreram nesta terça-feira em bombardeios realizados pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra posições do EI na província de Ninawa, da qual Mossul é capital.

O EI tomou o controle de Mossul no dia 10 de junho de 2014 e desde então ampliou seu controle a outras cidades e regiões iraquianas, declarando um califado nas regiões sob seu domínio no Iraque e na vizinha Síria. EFE