Executivo-chefe da Mozilla renuncia após críticas por se opor a casamento gay
Washington, 4 abr (EFE).- O diretor executivo e cofundador da Mozilla, Brendan Eich, renunciou duas semanas após assumir o cargo, encurralado pelas críticas devido a sua oposição ao casamento homossexual.
Foi o que confirmou a presidente da Fundação Mozilla, Mitchell Baker, no blog oficial da organização sem fins lucrativos responsável pelo navegador Firefox, explicando que Eich renunciou como diretor executivo e membro do conselho de administração por iniciativa própria.
“Brendan Eich escolheu deixar seu cargo como diretor executivo. Ele tomou essa decisão pela Mozilla e por nossa comunidade”, disse Baker.
O já ex-funcionário da Mozilla, também inventor da linguagem de programação Javascript, doou US$ 1.000 em 2008 à campanha a favor da “Proposta 8”, uma iniciativa que pretendia proibir o casamento entre pessoas do mesmo gênero no estado da Califórnia.
Embora desde 2012 fosse de conhecimento geral que havia dado a contribuição, em 24 de março, uma vez que vazou (informação) que Eich estaria à frente da Mozilla Corporation, a empresa subsidiária da fundação do mesmo nome, sua oposição ao casamento entre homossexuais os colocou no olho do furacão e foi objeto de várias críticas de seus empregados.
Um dos programadores da Mozilla, Chris McAvoy, desencadeou a saraivada de críticas no Twitter ao definir como “profundamente decepcionante” a nomeação de Eich e manifestar sua “confiança” em que a empresa se mantivesse “na vanguarda do que significa trabalhar no século XXI”.
Em sequência, somaram-se outros trabalhadores: “Sou colaboradora da Mozilla e peço a Brendan Eich que renuncie como diretor executivo”, escreveu Chloe Varelidi, diretora do Festival Mozilla.
A designer Jessica Klein e o diretor de colaborações, John Bevan, se manifestaram no mesmo tom.
As críticas chegaram também de fora da Mozilla, já que o site de relacionamentos OkCupid publicou uma carta na qual identificou o recém-nomeado diretor executivo de Mozilla como “oponente à igualdade de direitos para os casais gay” e pediu a seus usuários a utilizar outros navegadores.
Além disso, três integrantes do conselho de administração da Mozilla renunciaram pouco depois da nomeação de Eich, embora os veículos de imprensa americanos tenham explicado que sua renúncia era relacionada com a estratégia empresarial da companhia e não com as opiniões do novo primeiro executivo.
Apesar de que Eich insistiu em várias entrevistas nos últimos dias em que era a pessoa mais bem qualificada para o cargo e em que não abandonaria o cargo que acabava de conseguir, finalmente cedeu às pressões.
Eich nunca se retratou de suas opiniões sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e defendeu seu direito a não ser julgado por suas ideias, embora assegurou que acreditava na integração e na não discriminação na Mozilla.
A presidente da Mozilla lembrou que a filosofia de sua organização se baseia na diversidade e na igualdade e que recebem contribuições “de todo o mundo sem considerar idade, cultura, etnia, gênero, identidade de gênero, língua, raça, orientação sexual, localização geográfica e religião”.
“Não nos comportamos como vocês esperavam. Não agimos suficientemente rápido para estar ao lado das pessoas quando a controvérsia começou. Sentimos. Temos que fazer isso melhor”, sustentou Baker.
Em todo caso, a renúncia de Brendan Eich há reaberto nos Estados Unidos uma discussão sobre a tolerância e o papel que jogam as crenças pessoais nos negócios.
Andrew Sullivan, um conhecido escritor britânico estabelecido nos Estados Unidos e ativista pelos direitos dos homossexuais, denunciou em seu blog o “assédio” ao que se viu submetido Eich por parte de alguns setores da opinião pública.
“Se esse é o movimento pelos direitos dos homossexuais de hoje, acossando nossos oponentes com um fanatismo mais parecido com a direita religiosa que a outra coisa, que não conte comigo”, apontou Sullivan. EFE
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