Forças Armadas da Colômbia punem 25 membros por espionar diálogos com Farc

  • Por Agencia EFE
  • 23/01/2015 16h28

Bogotá, 23 jan (EFE).- As Forças Armadas da Colômbia afastaram cinco de seus membros do serviço nesta sexta-feira e substituíram de seus cargos outros 20 por sua suposta relação com os escândalos de espionagem ao processo de paz com as Farc.

Segundo o inspetor geral das Forças Militares, vice-almirante César Augusto Narváez, os retirados do serviço ativo são três oficiais, um suboficial e um patrulheiro, todos membros do exército ou da polícia, envolvidos em vazamento de informação secreta.

Entre os 20 substituídos de suas funções estão dez oficiais, oito suboficiais, um patrulheiro e um funcionário não uniformizado, acrescentou o inspetor, que advertiu que os sancionados podem ser excluídos da ramo de inteligência “se for o caso”.

Essas decisões foram tomadas após a investigação da participação de militares e policiais nos casos de espionagem da chamada Operação Andrômeda, do hacker Andrés Sepúlveda e do vazamento de documentos secretos de inteligência e de uma suposta lista de e-mails de políticos e jornalistas relacionados com o processo de paz.

A Operação Andrômeda foi revelada no dia 4 de fevereiro do ano passado pela procuradoria, que descobriu que um restaurante de Bogotá era utilizado por militares como fachada para operações de espionagem.

Desse local os envolvidos interceptaram comunicações dos negociadores de paz do governo colombiano com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Cuba, de dirigentes de esquerda e de jornalistas.

Segundo explicou hoje o vice-almirante Narváez em entrevista coletiva, “Andrômeda esteve dentro do marco legal, com fundamento na Constituição política colombiana, direções, regulamentos e o Manual de Manejo de Redes de Informantes”, mas faltou controle das atividades ali realizadas.

“Na fachada da Operação Andrômeda não se aplicou o princípio do segredo, estabelecido pela inteligência militar para este tipo de atividades”, expressou em comunicado lido à imprensa.

Sobre a espionagem ao processo de paz cometida pelo hacker Sepúlveda, gerente de redes sociais da campanha eleitoral do ex-candidato presidencial Óscar Iván Zuluaga – segundo a procuradoria com a finalidade de “sabotar” os diálogos com as Farc -, a investigação concluiu que também houve participação de membros da polícia.

“Existe a suposta participação de dois suboficiais do Exército Nacional e um patrulheiro da polícia na entrega de informação confidencial direta ou indiretamente ao senhor Andrés Sepúlveda, motivo pelo qual a Procuradoria Geral da Nação lhes ditou medidas de segurança”, expressou Narváez.

O caso do hacker, atualmente detido, foi descoberto em maio do ano passado em plena campanha presidencial na qual Zuluaga disputou um apertado segundo turno com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que então tentava a reeleição.

Mas também se abordou a suposta existência de um diretório militar no qual, aparentemente sem autorização dos altos comandantes das Forças Armadas, se recopilaram dados de 500 jornalistas colombianos e estrangeiros, fatos sobre os quais “até agora não se encontrou evidência”, indicou o oficial.

No total, as Forças Armadas realizaram 268 provas de credibilidade e confidencialidade em funcionários de inteligência e membros de outras divisões, aos quais perguntaram seu envolvimento nestes casos sob o teste do polígrafo.

A partir destes resultados, a investigação avançou até determinar a suposta vinculação dos 25 integrantes das Forças Armadas.

O vice-almirante se recusou a oferecer mais detalhes sobre os pormenores da investigação já que, insistiu, é atribuição da procuradoria, que investiga ditas operações, pronunciar-se “em seu devido momento”.

Com o mesmo argumento, também rejeitou especificar se estes 25 membros repassaram informação reservada do processo de paz ao ex-presidente Álvaro Uribe, forte crítico das negociações que em diversas ocasiões revelou dados que estavam em poder apenas dos negociadores de paz do governo.

Além destas sanções, Narváez anunciou que foram abertas seis “investigações disciplinares”, das quais quatro correspondem ao caso de Sepúlveda e duas à existência da lista de e-mails de jornalistas.

Nestas investigações estão envolvidos pelo menos 11 “funcionários da polícia” sobre os quais não se ofereceu mais detalhes, já que o processo ainda não terminou. EFE

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