Governo colombiano e Farc pretendem criar Comissão Verdade após acordo de paz
Havana, 4 jun (EFE).- O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram nesta quinta-feira sua decisão de iniciar uma Comissão da Verdade, uma vez assinado um acordo definitivo de paz, que será um mecanismo “independente e imparcial de caráter extrajudicial”.
O anúncio foi realizado hoje em Havana, sede dos diálogos de paz, pelos representantes de Cuba e da Noruega, países fiadores do processo, em um ato perante a imprensa no qual estiveram acompanhados dos negociadores do governo de Juan Manuel Santos e do grupo guerrilheiro, coincidindo com o encerramento do 37º ciclo das conversas.
O objetivo dessa comissão será esclarecer e conhecer a verdade sobre o ocorrido no conflito colombiano e contribuir ao reconhecimento das vítimas e da responsabilidade dos que participaram direta e indiretamente no conflito, “como uma contribuição à verdade, à justiça, à reparação e à não repetição”.
O trabalho da comissão, que começará a funcionar depois da assinatura da paz e uma vez que as Farc tenham abandonado as armas, estará centrado nas vítimas do conflito e buscará sua dignificação e a satisfação de seu direito à verdade.
A comissão terá uma duração de três anos com um período anterior de preparação de seis meses e seu âmbito temporal será o período do conflito.
Como parte de seu mandato, se prevê que esclareça as violações aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário que aconteceram em razão do conflito, assim como as responsabilidades coletivas devido a estas práticas.
Além disso, deverá lançar luz sobre o impacto humano e social do conflito na sociedade e nas diferentes povoações, suas consequências no exercício da política e no funcionamento da democracia e os fatores e condições que facilitaram a persistência da guerra, entre outros.
Este acordo alcançado entre as delegações de paz do governo e das Farc acontece no encerramento de uma tensa rodada de diálogos perante a escalada do conflito armado no país sul-americano nos últimos dias. EFE
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