Guerra verbal entre Colômbia e Venezuela intensifica crise na fronteira

  • Por Agencia EFE
  • 09/09/2015 22h20

Bogotá, 9 set (EFE).- A possibilidade de um encontro entre os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Nicolás Maduro, para resolver a crise parecia mais distante nesta quarta-feira devido à guerra verbal na qual entraram, enquanto seguem fechadas duas das três passagens fronteiriças oficiais.

Passadas três semanas desde que Maduro ordenou o fechamento da fronteira entre Cúcuta e San Antonio, a mais ativa dos 2.219 quilômetros que une e ao mesmo tempo separa os dois países, as diferenças, longe de diminuir, seguem se intensificando.

“Na Colômbia respeitamos as diferenças: as internas e também as que temos com outros países, com nossos vizinhos. E assim foi com a Venezuela, apesar de nossas profundas diferenças quanto ao modelo econômico, quanto a nossa política social, quanto a nosso modelo político”, disse hoje Santos em discurso no qual falou sobre os pontos de discórdia.

Um deles é a possível mediação internacional, para a qual Santos aceitou um oferecimento do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, enquanto Maduro prefere a de Argentina e Brasil, cujos chanceleres visitaram Bogotá e Caracas na semana passada.

“Ontem falei com o presidente do Uruguai. Agradeci sua boa disposição para ajudar a solucionar este conflito, mas ele me comentou que o presidente Maduro não atendeu telefone desde a semana passada. Como também não quis me atender no início deste conflito”, comentou.

Nenhum dos possíveis mediadores se manifestou sobre este episódio, enquanto nas passagens fronteiriças fechadas milhares de pessoas esperam algum acordo que lhes permita retomar a livre circulação.

No que foi sua mais dura resposta a Maduro desde que está no governo, Santos criticou os argumentos de seu colega venezuelano para fechar a fronteira e tirar colombianos assentados no fronteiriço estado de Táchira, que superam os 20.000 entre expulsos da Venezuela e os que saíram por conta própria, segundo números da ONU.

“O fechamento da fronteira com a Venezuela não é culpa da Colômbia. E a cada dia está mais claro que obedece a outros interesses”, declarou Santos sobre a explicação de Maduro que essa medida faz parte de uma campanha para combater o contrabando e supostos paramilitares que operam na região.

Santos reconheceu que na fronteira há “problemas muito sérios de insegurança, de contrabando, de máfias organizadas” que seu governo enfrenta, mas insistiu que “isto não é um problema só da Colômbia”.

“No crime organizado e no contrabando, nos dois lados da fronteira, estão envolvidos tanto venezuelanos como colombianos”, garantiu o presidente.

Os comentários de Santos foram uma resposta às acusações feitas nos últimos dias, no calor da crise, por Maduro e por sua chanceler, Delcy Rodríguez, que criticou no Twitter sua colega colombiana, María Ángela Holguín, pela viagem que fez para denunciar perante organismos internacionais os abusos contra seus compatriotas na fronteira.

Rodríguez acusou Holguín de inventar “falsidades sobre a fronteira com a Venezuela ao melhor estilo de um reality show”, e se perguntou se falou com os organismos da ONU “sobre as valas comuns achadas com centenas de corpos esquartejados e mutilados” e “de como a Colômbia se transformou no primeiro produtor de cocaína no mundo”.

Santos assegurou que as relações internacionais da Colômbia se movimentam dentro das coordenadas de “diplomacia e diálogo” aliadas a “firmeza e prudência”, e nesse cenário não cabem a falta de respeito, “não cabem os insultos, não cabem as palhaçadas nem as mentiras”, e ressaltou que não se deixará “provocar”.

Em resposta às declarações do governo venezuelano, que atribui aos colombianos os problemas de desabastecimento e de desvalorização do bolívar, o chefe de Estado colombiano respondeu que esses assuntos não têm nada a ver com seu país, mas com o modelo implantado pela revolução bolivariana, sobre a qual disse “que fracassou, que não funcionou”.

Da mesma forma garantiu que a Colômbia respeitou esse modelo, mesmo não o compartilhando, e rejeitou que seu país conspire contra o governo venezuelano.

“Eu não estou destruindo a revolução bolivariana. A revolução bolivariana está se autodestruindo, está destruindo a si mesma por seus resultados. Não por conta dos colombianos nem do presidente da Colômbia”, concluiu. EFE

joc/rsd