Hillary Clinton, uma mulher incansável com um ambicioso sonho presidencial
Cristina García Casado.
Washington, 12 abr (EFE).- Na campanha presidencial dos Estados Unidos de 1992, Bill Clinton disse que ao apoiá-lo, os eleitores recebiam “dois pelo preço de um”, em referência a sua esposa, Hillary Clinton, uma mulher incansável que neste domingo anunciou sua segunda tentativa de realizar o ambicioso sonho de sua vida: ser presidente.
“Se votarem nele, também poderão contar comigo”, disse então Hillary, e foi verdade. Nos 23 anos que passaram desde então essa advogada de Chicago (Illionis) foi primeira-dama, senadora, candidata às primárias democratas e secretária de Estado do país.
Acostumada a fazer história, Hillary Clinton quer agora se transformar na primeira mulher presidente dos Estados Unidos, um sonho frustrado em 2008 por um jovem senador chamado Barack Obama.
Quando anunciou sua primeira candidatura, em 20 de janeiro de 2007, Hillary tinha 59 anos e acabava de ser reeleita como senadora por Nova York para um segundo mandato.
Neste domingo, com 67 anos, uma Hillary Clinton já avó voltará a tentar depois de ter liderado a diplomacia americana durante quatro anos (2009-2013) como secretária de Estado de Obama.
Caso chegue à Casa Branca em 2016, Hillary seria aos 69 anos a segunda pessoa mais velha a tomar as rédeas do país, apenas alguns meses mais jovem que o republicano Ronald Reagan quando foi eleito em 1980.
“Tornar-me avó me fez pensar muito na responsabilidade que todos temos como administradores do mundo que herdamos e que um dia deixaremos de herança. Ser avó, ao invés de me fazer querer diminuir o ritmo, me estimulou a acelerar”, escreveu Clinton em um novo epílogo de seu livro de memórias “Hard Choices”.
Desde que acompanhava o jovem candidato democrata Bill Clinton nos anos 90, Hillary Clinton foi um desses personagens políticos que se ama ou se odeia.
Nas charges daqueles anos era desenhada como uma gata de unhas afiadas por sua forte personalidade e seus controvertidos comentários, contundentes demais para o que se esperava então de uma futura primeira-dama.
Apesar do esforço de seus assessores para suavizar sua imagem, Hillary não pôde nunca se livrar dessa fama de mulher dura, fria, calculista e ambiciosa.
Sua personalidade foi forjada no seio de uma estrita família conservadora de classe média-alta de Chicago, com seus pais, o empresário têxtil Hugh Rodham e a dona de casa Dorothy, que lhe ensinaram desde muito pequena que nem a covardia nem a fraqueza de caráter eram aceitáveis.
Hillary cresceu em um rico subúrbio de Chicago, Park Ridge, junto a seus dois irmãos menores, Hugh e Tony, em um ambiente de profundas crenças metodistas.
A resiliência e perseverança que aprendeu de seus pais foram vitais para Hillary, que teve que superar todo tipo de tempestades pessoais e políticas ao longo de sua vida.
A maior prova a sua resistência foi o escândalo do affair do então presidente Bill Clinton com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, em 1998. Fazendo das tripas coração, a primeira-dama perdoou seu marido e ficou ao seu lado, como tinha feito em outras confusões do tipo no passado.
Hillary e Bill se conheceram em 1971, quando ambos estudavam na faculdade de Direito da prestigiada Universidade de Yale (Connecticut).
A jovem deixou claro seu arrojo desde o primeiro minuto, foi ela quem se aproximou de Bill e disse: “Se vai continuar me olhando assim, e eu pra você, é melhor que nos apresentemos”.
Em outro gesto de independência e ao contrário do que é tradicional nas mulheres dos Estados Unidos, não mudou seu sobrenome quando se casaram em 1975.
Fez isso apenas anos depois, perante as pressões dos cidadãos do Arkansas, que não aprovavam que a primeira-dama do estado não compartilhasse sobrenome com o então governador Bill Clinton (1979-1981, 1983-1992).
O fracasso de Bill Clinton na reeleição de 1980 afetou duramente o casal, mas esse foi também o ano no qual tiveram sua única filha, Chelsea, que passou sua adolescência na Casa Branca e herdou o gosto de seus pais pela política.
Após sua maternidade no ano passado, Chelsea deixou seu trabalho na “NBC” para concentrar-se em sua filha Charlotte e na fundação familiar que passou a chamar-se Bill, Hillary & Chelsea Clinton Foundation quando Hillary deixou o Departamento de Estado em 2013.
Os Clinton podem voltar à Casa Branca mais de 20 anos depois em 2017, desta vez pelas mãos de Hillary.
Ao se transformar em primeira-dama em 1993, Hillary Clinton fez uma promissora declaração de intenções: ela não se dedicaria a fazer bolachas e tomar chá. E cumpriu isso plenamente. EFE
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