Imune às polêmicas, Trump segue liderando as pesquisas republicanas nos EUA
Miriam Burgués.
Washington, 13 ago (EFE).- O magnata e pré-candidato presidencial republicano Donald Trump parece resistente à sucessão de polêmicas que protagonizou desde o começo de sua campanha nos Estados Unidos, se mantém líder nas pesquisas e segue como favorito da cobertura midiática.
Com 22,5% de apoio, Trump supera amplamente os outros 16 aspirantes conservadores. Nesta quinta-feira conseguiu o dobro do obtido pelo segundo melhor colocado, o ex-governador da Flórida Jeb Bush (11,8%), de acordo com a média diária que o site “RealClearPolitics” obtém a partir de pesquisas de intenção de voto.
Além disso, em um levantamento da rede “CNN” divulgado ontem, Trump também era o favorito, com 22% das preferências, entre os prováveis eleitores dos caucus de Iowa – que marcam o início das primárias -, e é considerado o mais capaz de conduzir assuntos referentes à economia, imigração ilegal e terrorismo, por exemplo.
Uma semana depois do primeiro debate entre os pré-candidatos republicanos, quando provocou sua mais recente polêmica, a popularidade do bilionário nova-iorquino não foi abalada. E ele continua sendo protagonista de manchetes e programas de televisão.
No debate, transmitido pela emissora “Fox”, a moderadora Megyn Kelly perguntou a Trump sobre seus comentários desrespeitosos sobre algumas mulheres, as quais ele chamou “porcas gordas, cadelas, vadias e animais desagradáveis”.
Foi o início de uma de uma espécie de Guerra Fria entre a “Fox” e Trump, com denúncias do magnata de que a emissora conservadora o tratou de forma “injusta” no debate e sua polêmica insinuação de que Megyn Kelly foi dura com ele porque estava menstruada.
Após ser vetado de um evento conservador e perder o seu principal assessor de campanha, Trump voltou à “Fox” na terça-feira em missão de paz. Ambos partes resolveram dar por encerrada o atrito.
Mas as declarações mais lembradas do empresário são as do lançamento de sua campanha em 16 de junho, em Nova York, quando chamou os imigrantes mexicanos que chegam aos Estados Unidos de “criminosos” e “estupradores”.
Os próprios republicanos estão na mira do magnata. Lindsey Graham, um de seus rivais na disputa pela Casa Branca, seria “um idiota”. Já o ex-candidato à presidência John McCain, veterano do Vietnã, é um “perdedor” que não merece o título de “herói de guerra”.
Quem mais vem sendo atacado nos últimos dias, no entanto, é o também pré-candidato e senador Rand Paul. Sobre ele, Trump foi taxativo: “É um desastre, sem dúvida”.
Sua estratégia para enfrentar as críticas por esse tipo de comentário começa por nunca se desculpar. Para Trump, a culpa é dos “corvos da imprensa”, como afirmou esta semana em discurso para simpatizantes em Michigan, e que, em sua opinião, sempre interpretam mal suas palavras.
“Eu estou acostumado a resolver com recursos financeiros e são boas pessoas. Mas os meios políticos são duros. Digo isso porque às vezes você vai ler alguma coisa na imprensa e isso pode não ser verdade”, advertiu no discurso.
Com quase dois meses de campanha, os meios de comunicação e os jornalistas que estão acompanhando diariamente o magnata revelam o pouco que sabem sobre suas as políticas concretas e o plano de governo que pretende implantar caso chegue à Casa Branca.
Na terça-feira, ao ser perguntado na “Fox” por sua estratégia contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), Trump resumiu: “Entramos, os deixamos fora de combate e levamos o petróleo”. Sobre a China, ele falou da desvalorização do iuane, que em sua opinião será “devastadora” para a economia americana, mas não deu pistas sobre o que faria frente ao gigante asiático.
Mas, pelo menos quanto à estratégia de campanha, o “candidato perfeito” para 2015 é Trump, como afirmou hoje o analista político Chris Cillizza, do jornal “The Washington Post”.
O magnata está complementando suas múltiplas participações na TV, às vezes por telefone, com uma forte presença no Twitter, onde tem 3,7 milhões de seguidores, e viagens relâmpago aos estados que começarão em fevereiro as primárias e os caucus para escolher os candidatos à Casa Branca para as eleições de 2016. EFE
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