Líderes mundiais evitam ligar assassinato de deputada britânica a plebiscito

  • Por Estadão Conteúdo
  • 17/06/2016 11h02
FA031 BIRTSALL (REINO UNIDO) 17/06/2016.- Flores y mensajes de condolencias han sido colocados cerca del lugar donde se produjo ayer el asesinato de la diputada laborista Jo Cox en Birtsall (Reino Unido) hoy, 17 de junio de 2016. El asesinato a tiros de una diputada laborista, partidaria de que el Reino Unido continúe en la Unión Europea (UE), conmocionó ayer al país y llevó a la paralización de la campaña del referéndum del día 23. Jo Cox, de 41 años, murió poco después de recibir varios disparos y ser apuñalada en la localidad de Birstall (norte de Inglaterra), un incidente por el que fue detenido un hombre de 52 años. EFE/Jon SuperCox homenagem

Mobilizados contra a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE), líderes de França, Alemanha e EUA condenaram o assassinato da deputada britânica Jo Cox, pró-Europa. Realizadas em tom solene, as declarações foram neutras e evitaram usar o crime em favor da campanha pelo “Remain” (“Permanecer” em inglês), mesmo diante das dificuldades nas últimas pesquisas de opinião que deram vantagem ao “Brexit” (termo para a saída da Grã Bretanha do bloco). 

O anúncio da tentativa de assassinado de Jo já havia provocado uma onda de choque nas principais capitais europeias como Paris, Berlim e Bruxelas. Horas depois, a confirmação da morte da parlamentar reforçou o desconforto das autoridades em relação ao plebiscito. A votação não era desejada por líderes como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, mas era um desejo do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. Com o aumento do risco de vitória do “Leave” (“Deixar” em inglês) na consulta, marcada para o próximo dia 23, o mal-estar vem crescendo na Europa. 

Diante do crime, entretanto, os estadistas europeus optaram por uma posição mais sóbria. Em nome de Hollande, o Palácio do Eliseu publicou nota manifestando a “profunda emoção” do presidente, e “ao povo britânico, chocado por essa notícia, ele (Hollande) reitera sua total solidariedade”, pondera o documento. Para o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, o “ideal democrático foi atacado”. 

Em Berlim, Merkel pediu o “urgente esclarecimento” das circunstâncias do crime, “não quero, de nenhum modo, ligar o que ocorreu ao plebiscito sobre a permanência da Grã-Bretanha na UE”.

Em visita à Dinamarca, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que já fez campanha pela manutenção dos vínculos atuais entre Londres e Bruxelas, lamentou a perda de uma líder política com “um talento imenso”, dizendo tratar-se de “um ataque contra todos aqueles para quem a democracia importa e nela acreditam”, apontou, em pronunciamento ao lado do primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen.

As últimas pesquisas de opinião na Grã-Bretanha indicam a consolidação da tendência de vitória do “Brexit”. Nas duas últimas sondagens, publicadas na última quinta-feira (16), pelos institutos Ipsos Mori e Survation, a tendência é similar. O primeiro indica 53% dos britânicos favoráveis ao Brexit, enquanto o segundo mostra 52%.