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Lula descarta acordo de minerais críticos com os EUA e pede mapeamento de riquezas nacionais

Presidente critica interesse estrangeiro em recursos do subsolo brasileiro, mas assegurou que está aberto a um acordo com Donald Trump: 'Tem divergência? Senta em uma mesa e tenta resolver'

Felipe Cerqueira

Lula participa da cerimônia de Inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu
lula-rio Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou nesta segunda-feira (28) a possibilidade de firmar um acordo com os Estados Unidos sobre minerais estratégicos encontrados em território brasileiro. Durante um evento no Rio de Janeiro, Lula defendeu que o país mantenha total controle sobre seus recursos naturais e determinou a criação de uma comissão especial para atualizar o mapeamento das riquezas do solo e subsolo nacionais. Segundo o presidente, apenas 30% do potencial mineral do Brasil foi mapeado até hoje.

Ele afirmou que qualquer pesquisa só poderá ser feita mediante autorização do governo e que empresas não terão permissão para vender as áreas com minérios sem o aval da União. “Esses dias li uma matéria que os EUA têm interesse nos minerais críticos do Brasil. Ora, se eu nem conheço esse mineral e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Por que eu vou deixar para outro pegar?”, questionou Lula.

Os chamados “minerais críticos”, como terras raras, são fundamentais para a produção de baterias, semicondutores e outras tecnologias estratégicas. O Brasil possui grandes reservas desses minerais, o que tem despertado o interesse de potências como Estados Unidos e China.

Durante o discurso, Lula defendeu que os recursos naturais sejam utilizados em benefício direto da população brasileira. “Aquela riqueza é de uma pessoa chamada ‘povo brasileiro’. E o povo brasileiro tem que ter direito de usufruir dessa riqueza”, afirmou. Segundo ele, a exploração mineral pode ser uma alavanca para que o Brasil deixe de ser considerado um país em desenvolvimento.

Interesse americano e tensões diplomáticas

O posicionamento do presidente ocorre em meio ao aumento do interesse dos Estados Unidos pelos minerais brasileiros. O encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, e o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, já haviam mencionado esse interesse em declarações recentes.

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A postura do governo brasileiro tem gerado reações divergentes entre analistas. Para alguns, trata-se de um movimento necessário para garantir a soberania e o controle sobre as riquezas nacionais. Outros avaliam que o tom pode afetar as relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos, especialmente em um momento de tensão entre Lula e o presidente americano, Donald Trump, que anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Apesar das críticas, Lula reafirmou estar aberto ao diálogo com outros países, inclusive os EUA. “Eu espero que o presidente dos EUA reflita a importância do Brasil e resolva fazer aquilo que no mundo civilizado a gente faz. Tem divergência? Senta em uma mesa, coloca a divergência de lado e tenta resolver”, afirmou.