‘Mesmo com vacina, transmissão da Covid-19 deve demorar 6 meses para diminuir’, diz OMS

Organização também se preocupa com a equidade na distribuição de imunizantes: ‘Nenhum dos países mais pobres está vacinando, e há pessoas idosas e trabalhadores de saúde em todo o mundo’

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2021 16h41 - Atualizado em 08/01/2021 16h41
EFE/ Massimo Percossi - 05/01/2021A imunização contra a Covid-19 já começou em alguns países como França, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Israel, China e Rússia.

O consultor sênior da Organização Mundial da Saúde (OMS), Bruce Aylward, afirmou nesta sexta-feira, 8, que as vacinas contra a Covid-19 “salvarão vidas”, mas que a transmissão vai demorar “ao menos seis meses para diminuir”. Por isso, a recomendação do órgão é que os cuidados permaneçam, como o uso de máscaras e respeito ao distanciamento social, e que as populações sigam as medidas de restrição determinadas pelas cidades e países. Outro ponto que preocupa a OMS é a equidade na distribuição de imunizantes. “Nenhum dos países mais pobres está vacinando, e há pessoas idosas e trabalhadores de saúde em todo o mundo”, afirmou Aylward, que reforçou o papel da iniciativa Covax no tema e pediu mais recursos para a distribuição.

A imunização contra a Covid-19 já começou em alguns países como França, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Israel, China e Rússia. Na maioria deles, está sendo utilizada a vacina da Pfizer e BioNTech, aprovada para uso emergencial. No Brasil, A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou nesta sexta-feira, 8, o pedido de uso emergencial da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão também confirmou o recebimento do pedido de uso emergencial do imunizante CoronaVac, desenvolvido pela empresa chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, que apresentou eficácia comprovada de 78% nos estudos clínicos realizados no Brasil. Ao ser perguntado sobre a decisão iraniana de banir vacinas produzidas pelos Estados Unidos e Reino Unido, diretor executivo da OMS, Michael Ryan, pediu, somente, que “não politizem a vacina”.

Mutação do vírus

Segundo Ryan, África do Sul e Inglaterra foram “parte da solução” do tema da mutação da Covid-19, à medida que apresentaram informações sobre o assunto. A organização acredita que novas mutações do vírus podem ocorrer, e que o melhor caminho é reportar e buscar soluções abrangentes para a questão. Nesta sexta-feira, 8, foi identificado o primeiro caso de reinfecção no mundo por Covid-19 com a mutação E484K, da África do Sul, no Estado da Bahia. A paciente é uma mulher de 45 anos, sem comorbidades, de Salvador, e que teve a primeira infecção em 20 de maio e a segunda em 26 de outubro. Os dois diagnósticos foram feitos pelo RT-PCR. Também já foram registrados no Brasil casos de contaminação pela mutação provinda do Reino Unido.

* Com informações do Estadão Conteúdo