China estabelece meta de crescimento de 6% em 2021 e cita ‘contenção efetiva’ da Covid-19

O primeiro-ministro Li Keqiang também anunciou um déficit orçamentário de 3,2% após um ano marcado por bilhões de dólares gastos para estimular a atividade econômica

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2021 13h15
EFE/EPA/ROMAN PILIPEYO discurso do primeiro-ministro Li Keqiang foi feito durante abertura de sessão do Congresso Nacional do Povo em Pequim

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, anunciou nesta sexta-feira, 5, que o país terá como meta um crescimento de 6% em 2021. Alguns especialistas consideram o número conservador, visto que a nação se saiu melhor do que qualquer outra grande economia do mundo durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Outros ponderam que, ainda assim, o crescimento em 2020 foi de apenas 2,3% e que agora a China deve focar em dar passos consistentes, mas moderados, rumo ao objetivo do presidente Xi Jinping, que é dobrar o PIB até 2035.

No ano passado, a China gastou bilhões de dólares para estimular a atividade econômica, incluindo projetos de infraestrutura e repasses diretos à população. No entanto, isso não deve se repetir em 2021. Durante a sessão de abertura do Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro também anunciou que haverá um déficit orçamentário de 3,2%. O número, ligeiramente inferior ao do ano passado, leva em consideração a “contenção efetiva da Covid-19 e a recuperação econômica gradual”. Além disso, Li Keqiang também anunciou uma redução na quantidade de dinheiro que os governos locais terão para financiar obras.

Enquanto isso, o governo chinês deverá lidar com diversos desafios no campo econômico. No início dessa semana, o chefe da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China, Guo Shuqing, alertou para o risco de uma bolha imobiliária e afirmou que já foram emitidas regras para limitar os empréstimos no setor. Ele também apontou que os empréstimos inadimplentes podem desacelerar o ritmo de recuperação, visto que uma série de grandes empresas estatais declararam falência no ano passado. Além disso, a China deverá enfrentar o desemprego urbano, que permanece em torno de 5,6%,  de acordo com as informações divulgadas pelo governo, e pode desacelerar o consumo.