Com temor de novos ataques, EUA se apressam para retirar tropas do Afeganistão até terça-feira

Ação de evacuação do país é criticada internacionalmente pelos ares de ‘improviso’ e gerou, ao longo de duas semanas, uma sequência de imagens de desespero

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2021 14h00 - Atualizado em 28/08/2021 14h54
Victor Mancilla/Handout via REUTERSEstados Unidos tem até o dia 31 de agosto para retirar todas as tropas do país

Os Estados Unidos encaram neste sábado, 28, os últimos dias para retirada de todas as tropas norte-americanas do Afeganistão quase 20 anos após o país da Ásia Central ser ocupado pelas forças que buscavam retaliação pelos atentados de 11 de setembro de 2001. A ação de evacuação do país é criticada internacionalmente pelos ares de “improviso” e gerou, ao longo de duas semanas, uma sequência de imagens de desespero em manchetes ao redor do mundo. O dia 31, próxima terça-feira, é o prazo final dos EUA, mas também é encarado por moradores como última chance de fugir do regime Talibã. Ao longo dos 14 dias que se passaram desde as primeiras saídas em massa de pessoas do país, os EUA tiveram baixa de 13 soldados e o Afeganistão viu pelo menos 170 civis morrerem em um atentado terrorista, pisoteados na pista de decolagem ou caindo de aviões militares que rumavam à “liberdade” fora das fronteiras dos fundamentalistas.

Nesta sexta-feira, 27, uma operação com drones foi autorizada pelo presidente Joe Biden como represália aos atentados em torno do aeroporto de Cabul. O ataque matou dois supostos integrantes do Estado Islâmico-Khorasan, o Isis-K, e deixou outro ferido. Neste sábado, o país norte-americano começou a retirar os cinco mil militares que tinham sido deslocados ao Afeganistão para proteger o aeroporto de Cabul. Em entrevista coletiva, o porta-voz do Departamento de Defesa, John Kirby, não detalhou o número de militares que continuam no aeroporto da capital afegã. Além disso, 6,8 mil pessoas foram evacuadas do país nas últimas 24 horas, apesar do alerta para a possibilidade de outro atentado como o da quinta-feira.

Em seu primeiro comunicado à nação um dia após o Talibã tomar Cabul, o presidente Joe Biden justificou que não adiaria a saída das tropas do país porque seguia o acordo feito pelo governo anterior com os rebeldes, quando Donald Trump firmou compromisso de retirar todas as tropas até maio de 2021. “A escolha que eu tive que fazer como seu presidente foi seguir aquele acordo ou me preparar para lutar contra o Talibã no meio da temporada de combates do país. Não haveria cessar-fogo após o primeiro de maio, também não haveria qualquer acordo que protegesse nossas tropas após este dia”, disse Biden, referindo-se ao período entre abril e outubro no qual o grupo fundamentalista intensifica suas atividades militares. Segundo ele, não retirar as tropas no momento implicaria no envio de milhares de norte-americanos de volta ao combate “marchando para a terceira década de confrontos”.

Em outros dois pronunciamentos feitos à nação após o ocorrido, o presidente democrata se manteve fiel ao compromisso de retirada. Em um primeiro momento, ele falou que o risco de um atentado no local por parte do Estado Islâmico era iminente e os trabalhos deveriam findar o mais rápido possível na região. No outro — após o atentado e diante da morte de oficiais americanos — ele prometeu vingança contra os autores da explosão “no local e hora certos”, mas voltou a frisar que, mesmo que a retirada de afegãos nos aviões dos EUA seja realizada, os norte-americanos e militares serão priorizados nos últimos dias de missão. Até este sábado, 28, mais de 111 mil pessoas tinham sido evacuadas do país na operação de retirada.