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Comissão parlamentar diz que presidente do Equador obstrui investigação sobre ‘Pandora Papers’

Segundo líder da investigação, José Fernando Cabascango, Guillermo Lasso não será ouvido no Palácio do Governo, como solicitou

Lorena Barros

A Comissão de Garantias Constitucionais da Assembleia Nacional do Equador considerou nesta sexta-feira, 22, que o presidente do país, Guillermo Lasso, está obstruindo a investigação sobre o caso relacionado ao Pandora Papers e confirmou a decisão de não ouvir o presidente do chefe de governo na residência dele. “A nova insistência do presidente obstrui seriamente essa investigação e obstrui de maneira intencional o trabalho da Assembleia Nacional de exercer controle político e fiscalização dos atos dos servidores públicos”, lamentou o líder da comissão, José Fernando Cabascango, antes de encerrar a sessão desta sexta-feira. Lasso, que teve o nome mencionado na investigação jornalística, já havia comunicado nesta quinta-feira, 21, que não responderia positivamente à segunda convocação que recebeu para prestar depoimento, e que fazia isso “sob a proteção da lei”.

Um dos argumentos do presidente para não comparecer à sessão é de que ele irá responder todas as perguntas da Comissão no Palácio de Governo depois de todos os demais convocados tiverem comparecido para depoimento. O líder da comissão descartou completamente a possibilidade de que audiências em domicílio sejam realizadas, mas tomou um tom mais moderado do que o da última quarta-feira e evitou falar sobre iniciar um processo de julgamento político que poderia levar ao impeachment de Lasso. “Todo servidor público está sujeito ao controle político. O presidente da República não é exceção. Assim, determina a Constituição e as leis, ao indicar que qualquer funcionário público pode ser investigado por atos de interesse à população, que tenham gerado comoção social ou crise política”, afirmou o parlamentar.

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Dados vazados pelo Pandora Papers indicam a existência de capital e bens em paraísos fiscais no nome de Lasso desde 2017, quando uma nova lei proibiu a possibilidade para ocupantes de cargos eletivos. O chefe de governo repetiu diversas vezes que já se desfez dos ativos após a aprovação da lei, em um referendo realizado neste ano, inclusive, porque pretendia se candidatar à presidência. Em uma carta que teve autenticidade confirmada nesta sexta, o presidente garante que toda a renda que possui está declarada no Equador, onde “pagou todos os impostos de acordo com as leis”. A oposição, no entanto, quer respostas sobre uma possível transferência de bens de Lasso no exterior e, caso isso tenha ocorrido, se foram escolhidos “laranjas” do presidente.

*Com informações da EFE

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