JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Papo de Setorista | 15h00 - 16h00
Mundo

Protesto no Chile pede renúncia de presidente após denúncia em ‘Pandora Papers’

Ministério Público irá investigar Sebastián Piñera por subornos e crimes fiscais

Flávia de Souza Matos

Cerca de 300 pessoas protestaram nesta sexta-feira, 8, no centro de Santiago, para exigir a renúncia do presidente do Chile, Sebastián Piñera, por causa das supostas irregularidades reveladas no escândalo Pandora Papers e pelas quais ele será investigado pelo Ministério Público. A manifestação foi convocada pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e várias organizações sociais e ambientais e durou cerca de três horas na praça central da capital chilena, epicentro dos protestos sociais de 2019, até que policiais chegaram para dispersar os participantes. O protesto transcorreu pacificamente, com os manifestantes levando muitas faixas e cartazes contra Piñera e também exigindo a libertação dos detidos durante os protestos de dois anos atrás. “Basta de corrupção em nossa terra, estudantes dizem fora Piñera”, dizia uma das faixas, enquanto outras chamavam o presidente chileno de “ladrão”.

O Ministério Público anunciou na sexta-feira a abertura de uma investigação sobre subornos e crimes fiscais que supostamente foram cometidos por Piñera na venda de sua participação, em 2010, em um megaprojeto de mineração. Esta transação continha uma condição de pagamento ligada a políticas ambientais e foi realizada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas logo após Piñera ter iniciado seu primeiro mandato (2010-2014). O caso foi divulgado no último domingo no conjunto de denúncias Pandora Papers, uma publicação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

[jp-related-posts ids=”1170145,1170132,1170125″]

De acordo com essa investigação, Piñera vendeu sua participação no projeto ao empresário e amigo da família presidencial Carlos Alberto Délano em uma transação de US$ 152 milhões realizada em parte no paraíso fiscal do Caribe. O pagamento deveria ser feito em três parcelas, mas a última estava condicionada a que a área não fosse declarada ambientalmente protegida, segundo o ICIJ, algo que não aconteceu apesar de existir uma reserva natural na área com pinguins raros que poderiam ser ameaçados pela atividade mineradora. O presidente chileno alegou que estes fatos já foram investigados pela Justiça de seu país em 2017. O caso acabou arquivado, e ele, declarado inocente.

*Com informações da EFE