Emigração da Venezuela pode superar a da Síria em 2022, adverte OEA

Até o momento, êxodo de pessoas que fugiram da guerra no país do Oriente Médio é considerado como maior do mundo

  • Por Jovem Pan
  • 29/07/2021 15h21 - Atualizado em 29/07/2021 17h16
:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/AEBrasil, Boa Vista, 17/04/2018. Imigrantes venezuelanos espalhados pela Praça João Clóvis em Boa Vista (RR). FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO. - Crédito:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:219105

Um relatório divulgado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) nesta quinta-feira, 29, advertiu que a emigração de venezuelanos pode chegar à marca de sete milhões de pessoas até o fim de 2021 ou o início de 2022. A marca superaria o êxodo da Síria, considerado o maior do mundo, com 6,7 milhões de refugiados que saíram do país por causa da guerra. “Se não houver uma solução política, econômica e social no curto prazo, a estimativa é que poderá haver mais refugiados venezuelanos do que sírios”, afirma trecho do documento, que apontou que, mesmo com as restrições de mobilidade impostas pela pandemia da Covid-19, o número de migrantes e refugiados não apresentou decréscimo no país sul-americano.

Antes da pandemia, segundo os dados da OEA, cinco mil venezuelanos fugiam diariamente do país. No começo da crise sanitária, o impacto da Covid-19 teria motivado mais de 150 mil a retornarem aos locais de origem, mas a partir de setembro de 2020 e até hoje cerca de 700 a 900 venezuelanos trilham, diariamente, caminhos para fora do país. “No final de 2021 ou no início de 2022, o número de refugiados venezuelanos poderá atingir os sete milhões”, observa o documento. Os pesquisadores listaram cinco razões principais para o êxodo venezuelano: emergência humanitária complexa, violações dos direitos humanos, violência generalizada, colapso dos serviços públicos e colapso econômico.

A Colômbia é o principal destino dos que fugiram (1,7 milhão), seguido do Peru (1,05 milhão), dos Estados Unidos (465 mil), Chile (457 mil) e Equador (431 mil). Até o mês de abril de 2021, segundo as estimativas do governo federal, o Brasil tinha recebido cerca de 260 mil refugiados do país vizinho. O relatório estima que o número atual de refugiados do país gire em torno de 5,6 milhões, o equivalente a 18% da população. O coordenador desse grupo de trabalho, David Smolansky, também é venezuelano e pontuou que, caso as fronteiras sejam reabertas em um período pós-pandemia, a situação de exilados pode ser ainda mais extensa.