EUA pausam retirada de americanos do Afeganistão e voos são cancelados após mortes em aeroporto

Governo estadunidense afirmou que tem como principal missão no momento retomar operações na pista de decolagem e retirar cerca de 30 mil pessoas do país

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2021 10h54 - Atualizado em 16/08/2021 17h41
EFE/STRINGERCentenas de pessoas pularam muro do aeroporto internacional Hamid Karzai para tentar se refugiar em alguma aeronave que deixava o país

Os Estados Unidos paralisaram nesta segunda-feira, 16, a retirada de cidadãos norte-americanos do Afeganistão após imagens de caos serem registradas no aeroporto de Cabul, capital do país, e pelo menos cinco pessoas morrerem tentando entrar em voos que deixam a cidade com a retomada de poder pelo Talibã. As informações sobre as vítimas são do jornal Al Jazeera, que acompanha o avanço das tropas insurgentes no país ao longo de toda a semana. Ao todo, a administração de Joe Biden pretende trazer para os EUA 30 mil pessoas, parte delas norte-americanas e outra parte afegã. Com a paralisação de todos os voos comerciais na pista de Cabul, a prioridade das forças militares que continuam no país tomado por fundamentalistas é trazer o aeroporto de volta a funcionamento.

“Acredito que temos o que é necessário para trazer o aeroporto de volta à normalidade o mais rápido possível”, afirmou o vice-conselheiro de Segurança Nacional do país, Jon Finer, em entrevista ao canal norte-americano CNN. Ele considerou as imagens que viralizaram nas redes como “muito sérias” e disse que as pessoas que tentam fugir do país estão em uma situação muito perigosa. “É por isso que o presidente Joe Biden autorizou a retirada de milhares de afegãos vulneráveis do país, de pessoas que solicitaram vistos especiais de imigração, ativistas, mulheres, juízes…”, afirmou. Segundo ele, dois mil pessoas que são funcionárias ou parentes de norte-americanos foram trazidos de volta ao país na última semana.

Até o momento, posicionamentos oficiais não confirmaram as mortes no aeroporto de Cabul, mas correspondentes do jornal asiático testemunharam a retirada de corpos das vítimas, que foram pisoteadas e até mesmo alvos de tiros de arma de fogo. “Não sabemos quem estava atirando, talvez tenha sido a própria administração do aeroporto tentando controlar a multidão ou as forças talibãs”, afirmou a jornalista Charlotte Bellis. Segundo o governo dos EUA, o Talibã não estaria vedando a passagem daqueles que tentam chegar até o local para deixar o país. A estimativa das Nações Unidas era de que pelo menos 600 mil pessoas tenham deixado o país, a maioria por fronteiras terrestres, durante o avanço dos grupos fundamentalistas da área rural para a parte urbana do país. As cenas vistas em Cabul, porém, coincidiram com a chegada do Talibã à capital neste domingo, 16, quando o presidente Ashraf Ghani se refugiou no Tajiquistão e o país ficou oficialmente na mão dos rebeldes. O número de fugas deve aumentar vertiginosamente.