Ex-presidente francês, Valéry Giscard d’Estaing morre vítima da Covid-19

Aos 94 anos, Valéry sofria há anos com problemas de saúde e estava internado

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2020 00h13
Reprodução

Presidente da França entre 1974 e 1981, Valéry Giscard d’Estaing morreu nesta quarta-feira, 03, em decorrência da Covid-19, aos 94 anos, confirmou o Palácio do Eliseu, sede da chefia de Estado do país, após a informação ser sido divulgada pela família do político. Membro do Conselho Constitucional francês, Giscard havia sido hospitalizado recentemente em várias ocasiões, a última delas em meados de novembro, devido a um problema cardíaco. Segundo a imprensa local, o ex-presidente morreu em uma de suas residências no departamento de Loire-et-Cher, no centro do país, cercado por familiares. A Assembleia Nacional, que estava em sessão quando a notícia foi divulgada, interrompeu temporariamente o trabalho noturno para fazer um minuto de silêncio em homenagem a Giscard. Embora seu delicado estado de saúde tivesse afastado o ativo político da vida pública – uma de suas últimas aparições tinha sido em 30 de setembro de 2019, durante funeral do também ex-presidente Jacques Chirac (1995-2007) -, Giscard voltou a ganhar manchetes em maio, depois que uma jornalista alemã o acusou de abuso sexual durante uma entrevista concedida em 2018, denunciando-o por tocar suas nádegas várias vezes.

Polêmico e influente

Aos assumir o poder, Giscard se tornou o mais jovem chefe de Estado francês, aos 48 anos, depois de uma campanha moderna para a época, foi o primeiro presidente a não emergir do “gaullismo” após a Segunda Guerra Mundial. O ‘gaullismo’ é uma ideologia política que tem como eixo principal garantir a total independência da França ante qualquer interferência estrangeira e que se baseia nas ideias do general e estadista Charles de Gaulle, que liderou as Forças Francesas Livres durante a guerra, além de ter sido presidente e primeiro-ministro do país. Várias controvérsias marcaram seus sete anos de mandato, em particular supostos casos de corrupção relacionados a países da África.

Após cumprir o fim desse período, Giscard foi derrotado pelo socialista François Mitterrand (1981-1995) e, apesar de todas as polêmicas, foi uma das vozes mais destacadas da vida política francesa depois de deixar o cargo. Ele tentou várias vezes voltar à presidência, mas não obteve êxito e decidiu se dedicar a sua região de origem, Auvergne, a qual governou durante anos, e também à União Europeia, presidindo a convenção dedicada à elaboração da Constituição Europeia no início deste século.

Homenagens de políticos

Devido à importância do trabalho realizado durante sua longa carreira, a morte de Giscard repercutiu fortemente reações entre os políticos franceses. O ex-presidente Nicolas Sarkozy, com quem Giscard mantinha uma relação próxima, expressou sua “profunda tristeza” pela morte de “um homem que honrou a França”. “Durante toda a sua vida ele trabalhou para fortalecer os laços entre as nações europeias, buscou e obteve sucesso na modernização da vida política e dedicou sua grande inteligência à análise dos problemas internacionais mais complexos”, escreveu Sarkozy em sua conta no Twitter.

Na mesma rede social, outro ex-presidente, François Hollande, lembrou que Giscard foi “o homem que modernizou a França” graças às “grandes reformas” que introduziu, além de ter sido um “europeísta determinado”. “Apoiador de um liberalismo ‘avançado’, ele enfrentou o conservadorismo de uma parte de seu partido e também o desejo de mudança representado pela esquerda”, disse Hollande, que foi o segundo presidente socialista do país, depois de François Mitterrand, que derrotou Giscard em 1981. Já a líder de extrema-direita Marine Le Pen ressaltou que “em uma França em crise, ele foi o artesão de novas liberdades públicas e apoio ardente ao progresso tecnológico”. Por sua vez, o eurodeputado Yannick Jadot, líder dos Verdes, destacou algumas das reformas promovidas por Giscard, como a descriminalização do aborto e o direito de votar aos 18 anos de idade.

*Com informações da EFE