Homem negro é absolvido nos EUA após 43 anos preso injustamente

Condenação de Kevin Strickland foi feita com base em um depoimento frágil e decretada por tribunal do júri formado só por pessoas brancas

  • Por Jovem Pan
  • 24/11/2021 01h56
Midwest Innocence Project / DivulgaçãoCaso de Kevin Strickland chgamou a atenção do Midwest Innocence Project, que tentar ajudar inocentes a saírem de prisão

O norte-americano Kevin Strickland, de 62 anos, foi absolvido e será libertado da cadeia após 43 anos preso com base em um depoimento frágil. Strickland, que é negro, foi condenado à prisão perpétua sem direito à condicional por um júri formado apenas por homens brancos em 1978, em Kansas City, no Estado do Missouri. No dia em que o crime foi cometido, Strickland parou para conversar com quatro conhecidos do bairro em que morava – horas mais tarde, esses conhecidos mataram Larry Ingram, outro habitante da vizinhança, por conta de uma dívida de um jogo de dados no valor de US$ 300, e também assassinaram dois amigos de Ingram que estavam na casa. Enquanto isso, Strickland estava em casa, jantando com familiares, falando ao telefone e cuidando da filha de sete semanas. Ele soube do crime pela TV às 22h.

No dia seguinte, policiais foram buscá-lo. Namorada de Ingram e sobrevivente do ataque, Cynthia Douglas, foi chamada à delegacia, onde diz ter sido induzida a reconhecer Strickland pelo policiais. O caso foi montado em cima desse depoimento, mesmo com os familiares confirmando o álibi de Strickland. O primeiro julgamento realizado para o caso terminou sem solução, pois o único jurado negro se recusava a considerar Strickland como culpado; no segundo julgamento, com o júri formado unicamente por pessoas brancas, ele foi condenado. Dois membros do grupo que cometeu o crime foram presos e negaram que Strickland estivesse envolvido; Cynthia Douglas também tentou alterar o depoimento posteriormente, mas não teve sucesso, pois seria acusada de perjúrio. Em 2020, o jornal Kansas City Chief publicou sobre o caso e a promotora do condado, Jean Peters Baker, reabriu a investigação e encontraram mais evidências contrárias à participação de Strickland. Um novo julgamento foi marcado e o juiz James Welsh afirmou que já não era possível ligar Strickland ao crime, portanto, a condenação deveria ser anulada. Com a decisão, o homem poderá sair da cadeia em breve.