‘Imunização é melhor forma de proteção contra super variantes da Covid-19’, diz fundadora da BioNTech

Discurso da Dra Ozlem Tureci, co-fundadora da empresa alemã, foi um dos realizados em coletiva da OMS em alusão ao Dia da Mulher nesta segunda-feira, 8

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2021 14h21 - Atualizado em 08/03/2021 14h43
Stefan Albrecth/BioNTech/Divulgação Ozlem Tureci é uma das fundadoras da BioNTech

Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 8, a Organização Mundial da Saúde convidou mulheres cientistas para falar sobre o papel feminino durante a pandemia do novo coronavírus no último ano. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom, apontou que a pandemia foi muito mais severa com elas do que com homens, já que cerca de 70% de todos os trabalhadores de saúde do mundo são do sexo feminino e muitas mulheres precisaram desistir de empregos para cuidar da família durante o período de isolamento social. Apesar das mulheres serem maioria nas equipes de saúde, ao redor do mundo, 95% das forças tarefas contra a Covid-19 são lideradas por homens. “Como um resultado disso, todos nós perdemos talento e experiências”, afirmou Roopa Dhatt, a diretora executiva Women in Global Health. Ela lembrou que países comandados por mulheres, como a Nova Zelândia, mostraram bons resultados contra a pandemia no mundo e disse que a falta de protagonismo das mulheres durante a pandemia fez com que serviços essenciais de saúde, como o da saúde reprodutiva, fossem deixados de lado. “A Covid-19 não discrimina, mas a sociedade sim”, afirmou.

Uma das responsáveis pelo desenvolvimento da vacina de Oxford contra o vírus, a professora Sarah Gilbert reforçou a informação de que mulheres são pouco representadas em cargos de liderança e lembrou que isso deve ser levado em consideração no futuro. “Há preocupações de que a pandemia cause mais efeito nas carreiras e nas vidas de homens do que de mulheres, e isso não deve ser negligenciado quando nós estivermos fazendo planos de retomada”, afirmou. A responsável por uma das primeiras vacinas com uso emergencial permitido no Brasil lembrou da importância de monitorar o vírus e aplicar medidas restritivas que reduzam a disseminação da doença enquanto todas as pessoas não estiverem imunizadas.

Dra. Ozlem Tureci, co-fundadora da BioNTech, que desenvolveu outro imunizante junto à farmacêutica Pfizer, exaltou o papel das mulheres durante a pandemia. “Nesses tempos de crise, mulheres ouviram o chamado. Como elas sempre fazem. E se prontificaram. como consequência, as vemos na linha de frente contra a Covid-19. como líderes e como aliadas”, afirmou. Com tom mais positivo que o das colegas, ela ressaltou que 45% dos cargos de liderança da empresa criada por ela junto ao marido são de mulheres, que compõem pouco mais de 50% do quadro de funcionários. “Gostamos de acreditar que ser um time de gêneros balanceados tem sido essencial para fazer o aparentemente impossível, por desenvolver uma vacina contra a Covid-19 em 11 meses sem tomar atalhos. Eu, pessoalmente, me sinto preparada para continuar essa maratona e vencer essa crise global”, afirmou. Ela lembrou que o tempo de imunidade fornecida pela vacina continua a ser analisado nas aplicações ao redor do mundo e falou sobre as mutações ao redor do mundo. “Vírus conseguem se replicar e acumular mutações. Isso é inevitável. Com replicações suprimidas, haverá menos mutações, o que significa que a melhor forma de nos proteger de ‘super variantes’ do vírus é a imunização”, afirmou. Para ela, a tecnologia existente hoje é capaz de detectar com rapidez as qualidades das mutações e fazer alterações necessárias nas formulações da vacina.

Também em alusão ao Dia da Mulher, a Organização Mundial da Saúde anunciou a criação de uma nova iniciativa global contra o câncer de mama, que pretende reduzir a mortalidade mundial pela doença em 2,5% anualmente até 2040. A expectativa total é de que 2,5 milhões de vidas sejam salvas, principalmente em países com menos estruturas para detectar e cuidar da doença, que hoje ultrapassa o câncer de pulmão como o tipo de câncer mais detectado no mundo. “Há muito o que podemos fazer para salvar a vida dessas mulheres”, afirmou o diretor-geral da OMS.