Infecção complementa vacina e gera ‘superproteção’ contra Covid-19, diz estudo

Pesquisa aponta que os anticorpos produzidos neste cenário são 10 vezes mais potentes e abundantes quando comparados com os conferidos pela imunização sozinha

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2022 10h57
ANTONIO MACHADO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 22/12/2021 Mão feminina segura frasco de vacina e coloca agulha Pesquisadores ressaltam a importância do indivíduo se vacinar antes de testar positivo para a Covid-19

A infecção pelo coronavírus antes ou após a vacinação aumenta significativamente a resposta de anticorpos neutralizantes contra a Covid-19 em comparação com duas doses de vacina sozinhas. A conclusão é de um estudo da Universidade Oregon Health & Science, nos Estados Unidos, publicado na revista Science Immunology na última semana. Segundo a pesquisa, a imunização contra a doença após uma infecção natural ou uma infecção revolucionária (quando vacinados contraem a Covid-19) aumentam em pelo menos 10 vezes a resposta imune medida no soro sanguíneo em relação à imunidade gerada apenas pela vacinação.

“Não faz diferença se você é infectado e depois vacinado, ou se você é vacinado e, em seguida, tem uma infecção. Em ambos os casos, você obterá uma resposta imune muito, muito robusta – incrivelmente alta”, afirma o coautor sênior do estudo, Fikadu Tafesse. No caso das infecções revolucionárias, quando um vacinado contraí a Covid-19, uma “superproteção” é conferida para o indivíduo. Os pesquisadores apontam que, como está estabelecido que a infecção natural por si só fornece uma proteção de curta duração, é importante que os indivíduos se vacinem antes de testar positivo para a doença. 

A pesquisa foi feita antes do surgimento da variante Ômicron, altamente transmissível, mas os pesquisadores esperam que as respostas imunes híbridas sejam semelhantes para a cepa. “A probabilidade de contrair infecções revolucionárias é alta porque há muito vírus ao nosso redor agora, mas nos posicionamos melhor nos vacinando. E se o vírus vier, teremos um caso mais brando e acabaremos com essa superimunidade”, aponta Tafesse. Para este estudo, pesquisadores recrutaram um total de 104 pessoas, divididas em três grupos: 42 que foram vacinados sem infecção anterior, 31 que foram vacinados após uma infecção e 31 que tiveram infecções revolucionárias após a vacinação. Amostras de sangue foram coletavas e expostas a três variantes do coronavírus vivas em um laboratório.