Irã volta a fechar Ormuz após bloqueio dos EUA

Na sexta-feira (17), o Irã já havia anunciado que caso os Estados Unidos mantivessem seu bloqueio naval, a passagem seria fechada

  • Por AFP
  • 18/04/2026 07h18 - Atualizado em 18/04/2026 08h46
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Foto por GIUSEPPE CACACE / AFP Navios-tanque são vistos no Terminal de Contêineres de Khor Fakkan, o único porto natural de águas profundas da região e um dos principais portos de contêineres do Emirado de Sharjah, ao longo do Estreito de Ormuz, uma hidrovia por onde passa um quinto da produção global de petróleo, em 23 de junho de 2025. Os militares dos EUA disseram que iniciariam um bloqueio a todos os portos iranianos em 13 de abril de 2026, após o colapso das negociações entre os lados em guerra no Paquistão, com o presidente dos EUA culpando a recusa do Irã em abandonar suas ambições nucleares. Navios-tanque são vistos no Terminal de Contêineres de Khor Fakkan, o único porto natural de águas profundas da região e um dos principais portos de contêineres do Emirado de Sharjah, ao longo do Estreito de Ormuz, uma hidrovia por onde passa um quinto da produção global de petróleo, em 23 de junho de 2025. Os militares dos EUA disseram que iniciariam um bloqueio a todos os portos iranianos em 13 de abril de 2026, após o colapso das negociações entre os lados em guerra no Paquistão, com o presidente dos EUA culpando a recusa do Irã em abandonar suas ambições nucleares.

O Irã anunciou neste sábado (18) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, poucas horas após a reabertura da via, em resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos seus portos.

A reabertura, na sexta-feira, da passagem marítima crucial para o transporte mundial de petróleo foi bem recebida nas Bolsas e gerou otimismo em Washington, onde o presidente Donald Trump declarou à AFP que um acordo de paz mais amplo entre Estados Unidos e Irã estava “muito próximo”.

A República Islâmica havia “aceitado de boa-fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais” pelo estreito, mas os americanos “continuam com  atos de pirataria amparados no chamado bloqueio”, denunciou neste sábado o comando central das Forças Armadas iranianas.

Por este motivo, acrescenta um comunicado militar, a situação voltou “ao estado anterior e a passagem estratégica fica agora sob o controle rigoroso” do Irã.

O anúncio aconteceu no momento em que diversas peças diplomáticas se movimentam para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio, com um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas que entrou em vigor em 8 de abril entre Irã e Estados Unidos.

Na manhã de sábado, o site MarineTraffic mostrava uma tímida retomada do tráfego comercial em Ormuz: pouco mais de 10 navios circulavam na região, incluindo petroleiros, mas por volta das 9h00 GMT (6h00 de Brasília) pelo menos dois pareciam dar meia-volta.

Um cruzeiro, o Celestyal Discovery, atravessou a via sem passageiros para um deslocamento entre Dubai e Mascate, algo inédito desde o início da guerra em 28 de fevereiro, segundo a mesma fonte.

Antes da guerra, quase 120 navios atravessavam diariamente o estreito, segundo a publicação especializada Lloyd’s List.

21 navios bloqueados

Após o anúncio iraniano da reabertura do estreito, o presidente Donald Trump afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos prosseguiria “totalmente em vigor” até o fim das negociações, e que “continuaria” se um acordo não for alcançado.

“Desde o início do bloqueio, 21 navios acataram as ordens das forças americanas de dar meia-volta e retornar ao Irã”, anunciou neste sábado o Comando Central dos Estados Unidos.

No Irã, o jornal conservador Kayhan expressou hostilidade ao processo de distensão, ao considerar que abrir o estreito “antes de receber indenizações e da suspensão total das sanções (…) dá ao inimigo pérfido a possibilidade de recuperar forças em plena batalha”.

A retomada do tráfego no estreito provocou uma alta nas Bolsas e uma queda expressiva nos preços do petróleo, já que 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundiais passava por Ormuz antes do conflito.

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