Israel mobiliza tropas na fronteira com a Faixa de Gaza para operação terrestre

O número total de palestinos mortos durante os bombardeios subiu para 83; Netanyahu condenou o linchamento de um homem árabe por israelenses de extrema-direita em Tel Aviv

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2021 11h16 - Atualizado em 13/05/2021 17h06
EFE/EPA/MOHAMMED SABERPalestinos inspecionam os escombros da torre Al-Shorouq, destruída após um ataque israelense na cidade de Gaza na quinta-feira, 12

O Exército de Israel mobilizou mais tropas para a fronteira com a Faixa de Gaza nesta quinta-feira, 13, em antecipação a uma operação terrestre dentro do enclave palestino. Milhares de soldados da reserva já tinham sido convocados nos últimos dias. “Temos unidades terrestres prontas e em várias fases de preparação”, disse o porta-voz militar Jonathan Conricus. Os veículos de imprensa locais afirmam que os planos para uma possível invasão serão submetidos ao chefe de gabinete Aviv Kochavi para aprovação e depois encaminhados para o governo para receberem autorização final. A escalada de violência entrou no seu quarto dia com um saldo de 600 ataques executados por Israel e 1.600 pela Faixa de Gaza. Porém, 400 projéteis lançados pelos palestinos falharam e caíram em seu próprio território e cerca de 90% dos restantes foram interceptados pelas tecnologias israelenses antes de causarem qualquer dano. Ainda assim, um total de sete pessoas, incluindo duas menores de idade, foram mortas em Israel devido ao impacto dos foguetes disparados pelo Hamas e pela Jihad Islâmica.

Após uma noite de fortes bombardeios, a população da Faixa de Gaza amanheceu confinada em suas casas, visto que não existem abrigos anti-aéreos onde os civis possam se proteger. Apenas algumas centenas de pessoas saíram para cortejos fúnebres dos membros do movimento islamita palestino Hamas mortos nos recentes ataques. Desde segunda-feira, 10, um total de 83 palestinos perderam as suas vidas, sendo que 17 eram crianças e 7 eram mulheres, enquanto o número de feridos se aproxima de 500. Como a Faixa de Gaza não conta com tecnologias para se defender dos ataques aéreos, boa parte dos bairros estão cobertos por escombros. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aponta que 350 casas do território palestino foram destruídas ou danificadas, além de outras centenas que sofreram danos moderados. Entre elas estão sete fábricas, oito escolas e um centro de saúde. A entidade estima que 1.750 pessoas foram afetadas com essas destruições. Só nas últimas horas, aviões de caça israelenses atingiram um edifício no centro de Gaza e outro com mais de dez andares que abrigava os escritórios do Banco Nacional Islâmico. O Exército de Israel alega que está é a principal instituição bancária do Hamas.

Conflito chega a cidades israelenses

Ainda nesta quinta-feira, 13, o Ministério da Defesa de Israel ordenou a mobilização massiva de forças de segurança para cidades que são habitadas tanto por israelenses quanto por palestinos com cidadania israelense com o objetivo de combater a violência interna registrada nos últimos dias. Durante a noite, judeus ortodoxos e israelenses de extrema-direita entraram em confronto com as forças de segurança e, em alguns casos, com árabes israelenses. Esses incidentes violentos foram registrados principalmente nas cidades de Lod, Acre e Haifa. Perto de Tel Aviv, agressores tiraram um homem considerado árabe de dentro do seu veículo e o chutaram até que ele perdesse a consciência. A vítima está em estado grave. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou o linchamento, que foi transmitido ao vivo em um canal de televisão israelense. “O que está acontecendo nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável. Nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes”, afirmou. Durante a madrugada, cinco pessoas ficaram feridas após a explosão de um projétil que caiu em um complexo residencial perto de Tel Aviv. O Aeroporto Internacional Ben Gurion, que fica nos arredores, permanece fechado.