Macron quer negociar ‘Acordo de Paris’ voltado para biodiversidade ainda este ano

O presidente defendeu a criação de uma série de regulamentos internacionais que visam a proteção das espécies, tema que costuma gerar críticas do francês ao governo de Jair Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2021 17h04
EFE/EPA/FRANCOIS MORI / POOL MAXPPP OUTNo último dia 12, o presidente Emmanuel Macron relacionou o desmatamento da Amazônia com a produção de soja no Brasil

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou a sua intenção de negociar ainda este ano uma série de regulamentações internacionais para proteger a biodiversidade. O tratado seguiria o modelo do Acordo de Paris, que foi assinado em 2015 e visa conter o aquecimento global através da redução na emissão de gases do efeito estufa. Macron expressou o seu desejo de um novo tratado ambiental internacional nesta terça-feira, 26, durante um discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, que está sendo realizado em formato virtual devido à pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, as tratativas para esse acordo sobre a biodiversidade devem acontecer na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que será realizada no final de 2021 na Escócia.

A agressão à biodiversidade é uma das principais críticas feitas por Macron ao governo de Jair Bolsonaro, principalmente devido ao desmatamento da Amazônia. No último dia 12, o presidente da França chamou a atenção do Brasil ao relacionar a devastação da floresta amazônica com o cultivo nacional de soja, fala que foi rebatido tanto pelo Ministério da Agricultura quanto pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Nos dois casos, afirmou-se que Macron demonstrou não ter conhecimento sobre a sustentabilidade do cultivo do grão. A recorrência da pauta ambiental nos discursos do chefe de governo francês pode estar relacionada com o crescimento do Partido Verde em seu país, o que aumentou a pressão sobre ele.

Apesar do Acordo de Paris ter estabelecido uma agenda climática que ainda não está sendo cumprida, o maior problema enfrentado até agora foi a saída dos Estados Unidos em 2017, sob o governo de Donald Trump. No entanto, o novo presidente Joe Biden já sinalizou que o país voltará a fazer parte do tratado. Sobre o assunto, Emmanuel Macron defendeu a necessidade de aumentar as metas para 2030 e buscar a “neutralidade de carbono até 2050”. Isso, para ele, poderia ser alcançado através da imposição de preços elevados para as missões de CO2 e de um sistema de penalização para empresas e indivíduos.

*Com informações da EFE