Militar chavista desertor pede rebelião na Venezuela

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2019 15h53
EFERamón Rangel, da Força Aérea, foi aliado de Chávez desde a tentativa de golpe, em 1992, contra o presidente Carlos Andrés Pérez

Ramón Rangel, general de divisão da Força Aérea venezuelana, voltou-se contra o regime de Nicolás Maduro — segundo ele, atualmente controlado por uma “ditadura comunista de Cuba” — e pediu às Forças Armadas que se levantem contra o ditador.

Maduro tem contado com o apoio dos militares para se manter no poder, mas diversos membros das Forças Armadas já são considerados “desertores”.

Rangel foi um dos militares que em 1992 participou da frustrada tentativa de golpe contra o então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez. Na ocasião, a Venezuela passava por uma grave crise econômica, e Chávez e outros quatro tenentes-coronéis do Exército venezuelano mobilizaram oficiais na “Operação Zamora” para tentar derrubá-lo. Pérez controlou a rebelião, e Chaves e Rangel se entregaram e foram presos. Agora, Rangel quer derrubar Maduro.

“Eu apelo à Força Armada Nacional Bolivariana para aderir ao Artigo 328. Não vamos continuar dizendo ‘sempre leais, traidores, nunca’, porque estamos sendo traidor e traidores de uma Constituição Nacional”, disse Rangel.

O general também afirmou que “é inconcebível que mais de quatro milhões de venezuelanos peçam esmola fora do país (…). Temos que afastar o medo e sair às ruas para protestar, para buscar a união militar e para mudar este sistema político”.

Desde a tentativa de golpe de 92, Rangel sempre esteve ao lado de Chávez, e convivia diretamente com os líderes militares cubanos.

“Estive várias vezes em Cuba, a pedido de Chávez. Fiquei lá por seis anos e pude ver o povo cubano ser submetido ao jugo de uma ditadura Castro-comunista por mais de 60 anos. Eles vivem em condições de pobreza, que são atribuídas aos bloqueios dos EUA, mas é mentira, eles formaram uma cabeça desse grupo comunista de Castro, que não faz os recursos que eles têm, que são muitos, alcançar o povo cubano. Eles estão enganando as pessoas, e sabem disso.”

Ele não expressou apoio a Juan Guaidó — o líder da oposição que invocou a Constituição em janeiro para reivindicar a Presidência interina, argumentando que a reeleição de Maduro em 2018 foi fraudulenta. Mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos e a maioria das nações sul-americanas, consideram Guaidó o líder legítimo de Venezuela.

Assim como outros oficiais, que abandonaram Maduro, Rangel fugiu para a Colômbia no mês passado. Apesar de o pronunciamento de Rangel marcar outro golpe contra Maduro depois de um punhado de deserções semelhantes de oficiais este ano, o pronunciamento não muda o destino do chavismo. O alto escalão das Forças Armadas continuam a reconhecer Maduro como presidente.

O comandante da Força Aérea, Pedro Juliac, postou no domingo uma foto de Rangel no Twitter com as palavras “traidor do povo venezuelano e da revolução” impressas na imagem.

A presidente da ONG de Direitos Humanos Controle Cidadão, Rocío San Miguel, reagiu à declaração do general Ramón Rangel contra Nicolás Maduro, afirmando que o militar é uma figura importante do chavismo.

“O significado do pronunciamento do general de divisão Ramón Rangel é muito importante. Ele conhece a trama de negócios Caracas-Havana. Os segredos do tratamento da doença e morte de Chávez em Cuba e do rumo que está tomando o chavismo militar na sua ruptura com (Nicolás) Maduro”, escreveu na sua conta do Twitter.

A Venezuela está sofrendo um colapso econômico e social, além de enfrentar uma hiperinflacionário que alimentou um êxodo migratório de cerca de 3,5 milhões de pessoas nos últimos três anos.

*Com informações do Estadão Conteúdo