Ministro dinamarquês que ordenou o sacrifício de visons renuncia

No início do mês, mutações do novo coronavírus foram detectadas nesse mamífero, que é criado em fazendas para extração de pele

  • Por Jovem Pan
  • 18/11/2020 14h35
Sergey Ryzhkov/Creative CommonsAnimal se assemelha a furão e é usado para produção de casacos de pele na Dinamarca

Mogens Jensen, ministro da Agricultura e Alimentação da Dinamarca, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 18. O político se envolveu em polêmicas após emitir, no dia 4, uma ordem ilegal para sacrificar toda a população de visons, mamíferos que se assemelham a furões, do país. A decisão foi feita depois que mutações do novo coronavírus foram detectadas nesses mamíferos e, posteriormente, em 200 seres humanos. Na ocasião, o Statens Serum Institut, centro de referência para doenças infecciosas na Dinamarca, afirmou que essas variações “mostram uma sensibilidade reduzida aos anticorpos de várias pessoas com infecções anteriores”, o que pode significar que “uma futura vacina será menos eficaz”.

A medida afetaria 15 milhões desses animais, que são criados em fazendas para extração da pele – terceiro produto mais exportado da Dinamarca. A ordem acabou não sendo levada adiante porque descobriu-se que não havia base legal para uma exterminação geral, mas apenas nas localidades em que havia sido detectado o contágio. “Está claro que é absolutamente necessário para mim ter a confiança dos partidos do Parlamento para exercer o meu cargo, e acredito que não tenho mais o apoio requerido. Por isso, sinto que devo apresentar a minha renúncia”, declarou Jensen à emissora televisão pública DR. O anúncio veio pouco antes da divulgação de três comunicados internos em que o Ministério da Agricultura e da Alimentação afirma que cometeu um “erro”.

Nesta semana, deverá ser aprovada uma nova proposta que proíbe a criação e o transporte de visons até 31 de dezembro de 2021, e recompensa os criadores que sacrificarem seus animais com um pagamento de 30 coroas dinamarquesas por vison. Por enquanto, os sete municípios do norte da Jutlândia, que foram os com maior incidência dessa mutação do coronavírus, estão com restrições de circulação, além dos bares e restaurantes fechados. À respeito do assunto, no dia 6 a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que considerava ainda ser cedo para avaliar as consequências de uma variação do vírus que causa a Covid-19.

*Com informações da EFE