Na ONU, Biden reforça luta contra o terrorismo e diz que ‘bombas’ não combatem a Covid-19

Presidente dos EUA disse que inicia uma era da diplomacia e que as forças militares devem ser a última opção na resolução de conflitos

  • Por Jovem Pan
  • 21/09/2021 13h05 - Atualizado em 21/09/2021 14h05
EFE/EPA/TIMOTHY A. CLARY / POOLO presidente dos EUA, Joe Biden, em discurso na 76ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque nesta terça-feira, 21

Na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, destacou nesta terça-feira, 21, a importância da cooperação internacional e da diplomacia para a resolução de problemas em todo o mundo. Ele lembrou que, pela primeira vez em 20 anos, o país não está em guerra e afirmou que, em seu governo, os poderes militar e bélico deverão ser sempre as últimas opções, por considerar que não podem resolver muitos problemas, dentre eles o da Covid-19. O 46º presidente norte-americano também falou que não quer uma nova Guerra Fria no mundo, mas ressaltou que ataques terroristas contra a nação ainda vão encontrar um “adversário determinado”. Em seu primeiro discurso como presidente na Assembleia-Geral da ONU, Biden também defendeu os Direitos Humanos, as democracias, a paz e o bem-estar das pessoas.

“Os Estados Unidos continuarão defendendo a si mesmo e seus aliados, contra o terrorismo também. Mas para defender nossos interesses precisamos cooperar uns com os outros. O poder militar deve ser o último a ser usado. Há muitos problemas que podemos resolver sem balas. Balas e bombas não podem vencer a Covid-19 e suas variantes”, disse Biden. E continuou: “Começamos uma nova era de diplomacia, para defender a vida das pessoas e as democracias. O governo do povo e para o povo segue sendo a melhor maneira de oferecer resultados para todos”. Ele discursou logo após o Brasil, que teve o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falando sobre o que chamou de “um Brasil diferente do que é mostrado em jornais e na TV”.

Mesmo com um discurso humanitário e voltado para questões de paz e diplomacia, o chefe de governo americano não deixou de destacar sua força contra o terrorismo e possíveis ataques aos EUA. “O terrorismo é real e ataca em todas as partes. No mês passado, perdemos 13 militares em um ataque terrorista. Aqueles que nos atacam vão encontrar um adversário determinado nos EUA, como fizemos contra aqueles que nos atacaram em 11 de setembro de 2001. Mas agora estamos muito melhor equipados. Temos tudo o que precisamos para lutar contra o terrorismo, para reduzir a violência e melhorar a vida de todas as pessoas em todo o mundo”.

Durante todo o seu discurso, Biden também falou diversas vezes na necessidade de cooperação internacional para o enfrentamento aos problemas do mundo, como as questões climáticas. Ele lembrou que os EUA voltaram a assumir compromissos em relação ao clima, voltando ao Acordo de Paris, por exemplo, e assumindo metas próprias com economias verdes. “Só teremos êxito se todos tiverem. Por isso acredito que precisamos trabalhar juntos como nunca fizemos antes. Precisamos reforçar nossas alianças”, disse. Ele definiu sua gestão como uma administração comprometida para que o futuro seja pacífico para todos. E, sem citar a China, ressaltou que não deseja uma nova Guerra Fria no mundo: “Não estamos buscando uma nova Guerra Fria, nem um mundo dividido com blocos rígidos. Os EUA estão aqui para trabalhar com qualquer nação e buscar soluções para nossos problemas”.

O presidente ainda destacou um dos seus objetivos contra armas nucleares no mundo. “Os EUA está comprometido em evitar o desenvolvimento de armas nucleares. Estamos usando a diplomacia para conseguir a completa desnuclearização da península coreana e melhorar a vida de quem vive lá”. Em seguida, Biden também pediu que o Talibã respeite os direitos das pessoas no Afeganistão. “Queremos pedir que o Talibã respeite os Direitos Humanos de todos. Os direitos iguais inalienáveis são a base da paz no mundo. Os Direitos Humanos não podem ser mal interpretados. Os EUA fará sua parte, mas teremos mais êxito se todas as nações trabalharem na mesma direção”.