Nicarágua prende líderes de sindicato empresarial duas semanas antes das eleições

Michael Healy e Álvaro Vargas foram detidos pela Polícia Nacional após deixarem Ministério Público; ambos são membros da Aliança Cívica, que faz oposição ao regime de Ortega

  • Por Jovem Pan
  • 21/10/2021 17h40
EFE/ Jorge Torres Empresário Michael Healy falou com imprensa após ser detido em Manágua, na Nicarágua

O empresário Michael Healy, presidente do Conselho Superior da Empresa Privada (Cosep), e Álvaro Vargas, vice-presidente do órgão, principal sindicato patronal da Nicarágua, foram detidos pela Polícia Nacional do país latino nesta quinta-feira, 21, ao saírem do Ministério Público. A informação foi dada pela opositora Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, grupo ao qual ele pertence. A dupla, crítica do governo de Daniel Ortega, foi presa um dia após a Organização dos Estados Americanos (OEA) ter exigido a libertação “imediata” dos candidatos presidenciais e dos presos políticos no país e pouco mais de duas semanas antes da nação ir às urnas. Ortega, que já colocou sete candidatos opositores a ele atrás das grades, tenta a reeleição. O chefe da Cosep disse aos jornalistas depois de deixar o Ministério Público, onde permaneceu durante dez minutos, que sua reunião foi remarcada e não recebeu nenhuma explicação sobre o caso investigado.

Após falar com os jornalistas, ele entrou em seu carro e, quando dirigia para casa, foi interceptado pela Polícia Nacional, de acordo com um relatório da Aliança Cívica, que expressou solidariedade com o líder empresarial. “Ele foi detido pela polícia do regime. Exigimos que a sua integridade física seja respeitada e exigimos a sua libertação imediata. Rejeitamos a perseguição e o assédio do regime contra Michael Healy Lacayo”, comunicou o grupo, que foi a contraparte do governo em uma mesa de negociações que buscava uma solução pacífica para a crise que o país atravessa desde abril de 2018. “O povo da Nicarágua continua sofrendo o ataque às instituições e ao estado de direito, criado para restringir a liberdade de pensamento, o direito de associação e de participação da sociedade organizada, direitos que são violados na nossa Constituição”, denunciou outra parte do posicionamento. A Polícia Nacional ainda não explicou as razões da detenção do líder sindical.

Healy, de 59 anos e que já foi presidente da União dos Produtores Agrícolas da Nicarágua (Upanic), foi convocado pelo Ministério Público juntamente com Álvaro Vargas, vice-presidente da Cosep. Apoiadores do governo mantêm confiscados 210 hectares de uma fazenda do empresário dedicada ao cultivo de cana de açúcar e banana desde as manifestações antigovernamentais de abril de 2018. Healy foi eleito presidente do Cosep em setembro de 2020 para um mandato de três anos, que terminará em setembro de 2023, sucedendo o empresário José Adán Aguerri, que foi preso em junho e é acusado de “traição”. A prisão de Healy é a 38ª feita pela Polícia Nacional desde 28 de maio contra profissionais e dissidentes independentes, incluindo sete que anunciaram a intenção de concorrer à presidência da Nicarágua pela oposição.

*Com informações da Agência EFE