Número de mortos em protestos no Equador chega a cinco

Indígenas que tomam as ruas de Quito pelo oitavo dia afirmam que as manifestações seguirão até que o governo revise o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)

  • Por Jovem Pan
  • 10/10/2019 15h20
EFE/ José JácomeProtestos nas ruas de Quito, no Equador, chegam ao oitavo dia.

A Defensoria Pública do Equador confirmou, nesta quarta-feira (10), a morte de um homem durante os protestos desta quarta (9) contra o ajuste econômico do governo, fato que já havia sido relatado pela Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie) em mensagem na qual repudiava a “repressão brutal e desmedida aos manifestantes”.

Segundo a Defensoria, a vítima é um líder indígena do Conaie, que foi ferido na cabeça durante protestos em massa, que foram reprimidos pelas forças de segurança com grande quantidade de gás lacrimogêneo.

Com este caso, sobe para cinco o número de mortos nos protestos. Depois do fim de semana, um homem morreu atropelado no sul do país, quando, supostamente, tentava escapar para se proteger da repressão, e três morreram ao cair de uma ponte em Quito, capital do país.

Pelo oitavo dia, indígenas, estudantes e trabalhadores do Equador protestaram contra o decreto 883, assinado pelo presidente Lenín Moreno, que eliminou subsídios aos combustíveis e provocou um aumento de 123% nos preços.

Indígenas tomam as ruas de Quito

Apesar de muitos indígenas já terem deixado Quito após a mobilização de ontem, o presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Jaime Vargas, afirmou que as manifestações seguirão até que o governo revise o pacote de medidas econômicas que implementou no âmbito do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nesta quarta, Moreno anunciou que voltou a Quito para dialogar com os manifestantes. Ele estava na cidade costeira de Guayaquil, centro econômico do país, para onde a sede do governo foi transferida após violentos protestos e invasões de prédios, como o da Assembleia Nacional.

A mudança da sede do governo, decretada por Moreno em 3 de outubro, tem respaldo durante a vigência do estado de exceção, que durará 30 dias.

“Vim para a cidade de Quito com a finalidade de estender minha mão e poder manifestar que já temos bons resultados em relação ao diálogo com os irmãos indígenas”, disse o presidente do Equador. Os contatos, de acordo com declarações do secretário da Presidência, José Briones, estão sendo intermediados pelas Nações Unidas e pela Igreja Católica.

No entanto, Jaime Vargas, presidente do Conaie, negou que haja diálogo com o governo. Em nota publicada no site da organização, ele exigiu a liberdade de centenas de pessoas detidas nos protestos e responsabilizou os ministros María Paula Romo, de Governo, e Oswaldo Jarrín, da Defesa, pela violência por parte do Exército e da Polícia Nacional.

“Pedimos que as Nações Unidas convoquem o presidente e que a repressão pare; além disso, pedimos a liberdade dos companheiros que foram presos. Nos disseram que havia a possibilidade de dialogar e nós dissemos que não”, afirmou.

De acordo com a imprensa equatoriana, mais de quinhentas pessoas foram detidas nos últimos dias. As manifestações foram marcadas por violência. A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e cercou parte do centro de Quito, onde estão alguns dos prédios importantes do governo.

Moreno decretou toque de recolher entre às 20h e às 5h da manhã, durante um mês, nos arredores do Palácio de Carondelet, para evitar que os manifestantes se aproximem da sede do executivo. Apesar dos protestos, a Empresa de Transporte de Passageiros de Quito informou que seus serviços começaram a se normalizar no início da manhã desta quinta.

De acordo com a Autoridade de Trânsito Municipal de Guayaquil, as pontes da Unidade Nacional, em todas as suas seções, já estão abertas à circulação de veículos. Também os túneis e a Metrovia operam normalmente.

Mutirão de limpeza

O Conselho Cívico de Quito convocou para o próximo domingo (13) um mutirão para limpar o centro histórico da capital equatoriana dos danos causados ​​pelas manifestações de protesto dos últimos dias.

A ação deve começar às 8h, e o ponto de concentração será na Praça da Independência. As pessoas que responderem à chamada deverão levar vassouras, sacos de lixo, pás e espátulas. Às empresas que pretendem colaborar com a iniciativa, sugere-se que levem removedores de grafite e tinta branca.

Apoio internacional

Na noite desta quarta, Moreno agradeceu o apoio internacional às ações do governo para conter os protestos contra os ajustes econômicos no país.

“Gostaria de agradecer a todos os países da América e do mundo, que nos enviaram sua solidariedade com o processo democrático que está sendo realizado no Equador e sua rejeição às tentativas de golpe que ocorreram”, disse Moreno, em entrevista à Rede CNN, transmitida em rede nacional de rádio e televisão.

Os governos da Argentina, do Brasil, da Colômbia, de El Salvador, da Guatemala, do Paraguai e do Peru expressaram seu apoio “firme” às ​​ações do presidente Lenin Moreno”, em referência às suas novas medidas econômicas, conforme detalhado pelo Ministério das Relações Exteriores do Equador em comunicado.

*Com informações da Agência Brasil