OMS critica pouco investimento em testes para diagnóstico da Covid-19

O diretor das Emergências de Saúde da OMS afirmou que cada dólar investido nessas medidas teria evitado muitos prejuízos econômicos

  • Por Jovem Pan
  • 19/08/2020 15h41
EFE/ Antonio LacerdaPessoa faz teste de diagnóstico para Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou nesta quarta-feira, 19, que uma das razões pelas quais a pandemia do novo coronavírus não foi travada é porque os países não investiram o suficiente em testes, para com isso facilitar o isolamento dos infectados, assim como rastrear seus contatos e colocá-los em quarentena. “Estamos gastando bilhões de dólares em estímulos fiscais, colocando grandes quantias de dinheiro para mitigar o impacto deste vírus, mas não temos investido coletivamente no processo de diagnosticar, rastrear contatos e colocá-los em quarentena”, disse o diretor das Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan. Ele afirmou que cada dólar investido nessas medidas teria evitado muitos prejuízos econômicos. “Não investimos o suficiente na arquitetura de saúde pública, nos profissionais da saúde. Não investimos o necessário nessa parte da equação”, insistiu o médico, um dos principais nomes da OMS na luta contra a pandemia.

Como parte dessa reflexão, Ryan considerou que os testes, quarentenas e rastreamento de contato serão “uma parte extremamente importante da próxima fase” da luta contra o coronavírus, que continua se espalhando pelo mundo. Ele lembrou que os países que se concentraram nessas medidas – principalmente na Ásia – conseguiram conter as infecções de maneira eficaz. Ryan disse que também havia falta de investimento “em educação e envolvimento da comunidade”, o que hoje tornaria mais fácil para as pessoas aceitarem estratégias como o uso de aplicativos de telefones celulares para rastrear contatos. “Se as pessoas não participam e não querem dar os seus dados de contato, é obviamente porque têm algum receio de como essas informações serão utilizadas. Portanto, estamos diante de um problema de confiança”, disse o especialista.

Ryan incentivou os governos a “trabalharem duro” para construir a confiança necessária em que os cidadãos se sintam confortáveis em fornecer informações pessoais a serem contatadas no caso de mais tarde ficarem sabendo que estiveram em um lugar que tenha sido uma fonte de contaminação.

*Com informações da Agência EFE