ONU evita classificar como ‘golpe’ queda de Evo Morales

O agora ex-presidente da Bolívia, ao renunciar do cargo, neste domingo (10), denunciou ter sofrido um golpe de Estado. Morales está no México como asilado político

  • Por Jovem Pan
  • 12/11/2019 19h31
REUTERS/CARLOS GARCIA RAWLINSEvo Morales

A ONU evitou classificar nesta terça-feira (12) como “golpe de Estado” a saída de Evo Morales da presidência da Bolívia, e apontou que existe preocupação profunda pela situação que o país atravessa neste momento.

“Não é uma situação que cabe a nós definir”, afirmou Farhan Haq, um porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em entrevista coletiva.

Para Haq, as circunstâncias na Bolívia são “fluídas”, mas garantiu que a ONU está fazendo esforços para que a crise política não piore ainda mais. “Estamos mantendo contato com interlocutores nacionais e internacionais para ajudar a acalmar a situação”, disse o porta-voz.

“O mais importante agora é prevenir um agravamento e fazer todas as medidas para criar condições para eleições pacíficas, críveis, transparentes e inclusivas antes do possível”, completou.

Nesta terça, foi confirmada a quarta morte devido aos protestos violentos que acontecem no país. O coronel Herbert Antelo, comandante da Unidade Táctica de Operação Policial (UTOP) de La Paz, se acidentou ao tentar desviar de um cartucho de dinamite lançado em direção ao carro em que estava.

De acordo com a polícia, Antelo acabou se chocando com um micro ônibus e morreu pouco após chegar ao hospital.

As declarações da ONU foram divulgadas pouco depois da chegada de Morales ao México na tarde desta terça. O agora ex-presidente, ao renunciar do cargo, no domingo (10), denunciou ter sofrido um golpe de Estado.

Ainda no domingo, Morales havia anunciado a repetição das eleições presidenciais depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou inúmeras irregularidades no pleito de 20 de outubro.

Além de Morales, renunciaram também Álvaro García Linera, vice-presidente do país, Víctor Borda, presidente da Câmara de Deputados, e Adriana Salvatierra, presidente do Senado.

*Com informações da EFE