ONU pressiona Belarus a parar de violar liberdade e direitos humanos

Desde agosto, os protestos contra a sexta reeleição consecutiva do presidente Alexandr Lukashenko tem sido marcadas pela repressão policial e prisão de centenas de manifestantes

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2020 12h50
EFE/EPA/STREm meio à neve, manifestantes continuam demonstrando insatisfação com Lukashenko, que está no poder há 26 anos

Nesta sexta-feira, 4, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu que o governo de Belarus liberte os manifestantes que foram presos “de forma injusta ou arbitrária” durante protestos contra a reeleição controversa do presidente Alexandr Lukashenko. Ela também pediu que o país “ponha fim às atuais violações dos direitos humanos”. Desde o início das manifestações em agosto, 27 mil pessoas já foram detidas no país – 1.700 delas só durante a sequência de protestos dos dias 8, 15 e 30 de novembro. Segundo Bachelet, nos primeiros meses esses indivíduos cumpriam um máximo de 15 dias de detenção administrativa. Agora, a justiça começou a aplicar penas de prisão mais longas.

A alta comissária da ONU apontou, ainda, que existe uma constante perseguição política contra jornalistas, blogueiros, advogados e defensores dos direitos humanos da oposição, além da violência policial como forma de dispersar as manifestações. Nas últimas semanas, foi reportado o uso de gás lacrimogênio, canhões de água, bala de borracha, espancamento e outras medidas que Bachelet considerou como sendo “desproporcionais”, sendo que quatro civis acabaram sendo mortos durante os protestos. A preocupação é agravada pelo fato de Belarus não permitir o acesso de observadores da ONU.

Herdeira da União Soviética, Belarus possui Alexandr Lukashenko como presidente desde 1994. Ele foi sendo reeleito consecutivamente sob graves acusações internacionais de fraudes eleitorais para manutenção do sistema político. Em agosto deste ano, ele garantiu a sua permanência no poder mais uma vez com 80% de votos, resultado questionável que levou os bielorussos a iniciarem uma série de manifestações marcadas pela repressão policial e centenas de prisões.

*Com informações da EFE