Polícia dos EUA atira em jovem de 13 anos com autismo após pedido de ajuda da mãe

No momento da abordagem, os policiais atiraram várias vezes no garoto, que ficou gravemente ferido depois do incidente

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 18h02
Reprodução/KUTVLinden Cameron foi baleado por policiais

Um caso trágico agitou a cidade de Salt Lake City, em Utah, nos Estados Unidos. Golda Barton ligou para a polícia local, na última sexta-feira, 4, para pedir ajuda enquanto seu filho Linden Cameron, de apenas 13 anos de idade, sofria de “um colapso mental” – o jovem e portador da Síndrome de Asperger, um dos transtornos do espectro do autismo. No momento da abordagem, no entanto, os policiais atiraram várias vezes no garoto, que ficou gravemente ferido depois do incidente. Segundo o Washington Post, Cameron apresenta lesões nos intestinos, bexiga, tornozelos e ombros. A mãe afirma que ele não estava armado e tampouco foi encontrado alguma arma no local.

“Eu disse: ‘Olha, ele está desarmado. Ele não tem nada. Ele simplesmente fica bravo e começa a gritar e berrar’. Ele é uma criança que está tentando chamar a atenção. Ele não sabe como regular”, disse Barton à CNN. “Quando a polícia chegou, eu ouvi alguém gritar: ‘deite no chão’ por três vezes, logo antes dos tiros”, relatou a mulher norte-americana. “Por que eles atiraram nele? Por que não atiraram nele com uma bala de borracha? Ele é uma criança pequena. Por que eles simplesmente não o enfrentaram? Eles são grandes policiais com enormes quantidades de recursos”, questionou.

Sargento da Polícia de Salt Lake City, Keith Horrocks disse em uma entrevista coletiva, no sábado, que os policiais foram chamados para a área porque um menino estava tendo um “episódio psicológico e fez ameaças a algumas pessoas com a arma”. Golda Barton, no entanto, negou que o filho portasse qualquer tipo de arma e contou que ele estava em choque por ter ficado sozinho durante o dia após um longo tempo. O detetive Greg Wilking, porta-voz do Departamento de Polícia de Salt Lake City, disse nesta terça-feira que não poderia falar especificamente sobre se o menino tinha uma arma ou “quais eram as ameaças percebidas pelos policiais”, citando apenas que essas questões seriam determinadas por a investigação. “A mãe pode dizer o que quiser, mas há uma investigação que precisa acontecer e esse processo que precisa acontecer”, disse Wilking, em entrevista à CNN.

Já o prefeito de Salt Lake City, Eric Mendenhall, pediu transparência na investigação e agradeceu por ninguém ter morrido no incidente. “Embora os detalhes completos deste incidente ainda não tenham sido divulgados durante a investigação, direi que estou grato por este jovem estar vivo e ninguém mais ter se ferido. Não importa as circunstâncias, o que aconteceu na sexta-feira à noite é uma tragédia e espero que esta investigação seja conduzida com rapidez e transparência para o bem de todos os envolvidos”, comentou.