Presidente do Cazaquistão pede que forças de segurança ‘atirem para matar’ manifestantes

Em pronunciamento na televisão, Kassym-Jomart Tokayev afirmou que grupos eram terroristas treinados internacionalmente e disse que ‘quem não se render será destruído’

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2022 10h56
Ruslan PRYANIKOV / AFP multidão de pessoas no cazaquistão Pelo menos 2 mil pessoas foram detidas em protestos no Cazaquistão

Após uma escalada de violência registrada desde o último domingo, 2, o Cazaquistão amanheceu nesta sexta-feira, 7, com a aparente retomada do controle das ruas por parte das autoridades. Ainda assim, o presidente Kassym-Jomart Tokayev, apoiado pela Rússia, afirmou em posicionamento público divulgado na TV que terroristas treinados internacionalmente foram responsáveis pelas revoltas e que ele a polícia tem autorização para matar qualquer manifestante. “Os militantes não abaixaram a guarda. Eles continuam a cometer crimes ou a se preparar para esses crimes. Quem não se render será destruído. Eu dei a ordem para todos os agentes de segurança e para o Exército de atirar para matar, sem qualquer aviso”, afirmou. Até o momento, o governo confirmou a morte de “dezenas” de manifestantes e a prisão de mais de duas mil pessoas. Pelo menos 12 policiais também teriam morrido em confrontos.

O país está em estado de emergência desde quinta-feira e serviços de internet e telefone apresentam instabilidade, alvo de críticas por parte de manifestantes. Além da falta de conectividade, todas as instituições financeiras do país tiveram atividades suspensas, um toque de recolher foi anunciado e o presidente aceitou a renúncia do primeiro-ministro Askar Mamin, nomeando um novo nome para o cargo. O preço do urânio, um dos produtos mais exportados pelo país da Ásia Central, subiu por causa da convulsão social. As cotações de empresas nacionais despencaram na Bolsa de Valores de Londres. Após a repercussão internacional, reação dos Estados Unidos e das Nações Unidas e o envio de tropas russas à região para lidar com as manifestações, o país anunciou que vai impor um limite para os preços de venda de combustíveis por seis meses em busca da “estabilização da situação socioeconômica” da região.