Putin exalta inteligência russa após polêmicas com Navalny e EUA

O presidente da Rússia visitou a sede do Serviço de Espionagem Estrangeira (SVR), que completa 100 anos em 2020, por ocasião do Dia dos Serviços de Segurança

  • Por Jovem Pan
  • 20/12/2020 16h08
EFE/EPA/MICHAIL KLIMENTYEV /Vladimir Putin é o atual presidente da Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enalteceu neste domingo, 20, o trabalho dos serviços de inteligência do país, que foram acusados nos últimos dias de terem envenenado o líder opositor Alexei Navalny e de terem participado da repressão maciça contra várias agências do governo dos Estados Unidos. O presidente visitou a sede do Serviço de Espionagem Estrangeira (SVR), que completa 100 anos em 2020, por ocasião do Dia dos Serviços de Segurança. Ele depositou flores no monumento dedicado aos funcionários da agência.

“Espero que a SVR continue respondendo com flexibilidade à alta dinâmica de mudança na esfera internacional, participe ativamente na identificação e neutralização de ameaças potenciais à Rússia e melhore a qualidade de seus materiais analíticos”, declarou o chefe de governo. Ex-agente da KGB, Putin saudou os trabalhadores da inteligência com um “Caros camaradas, caros colegas” e disse ser necessário aproveitar os sucessos atingidos no trabalho das agências de contra-espionagem. “Sei do que estou falando aqui e aprecio muito as complexas operações profissionais que são realizadas”, destacou.

O presidente pediu às agências de inteligência para continuarem a combater o terrorismo e o extremismo, protegerem a fronteira mais efetivamente, especialmente considerando os riscos de conflitos regionais latentes nas proximidades, e prestarem atenção ao crime econômico e à segurança da informação. Tudo isso em uma época em que os serviços de inteligência voltaram a fazer as manchetes por causa de acusações de que hackers, a mando do governo russo, realizaram ataques orquestrados contra várias agências do governo dos Estados Unidos.

O Kremlin negou ter algo a ver com os ataques cibernéticos, que o Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, atribuiu à Rússia. O presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, minimizou o ocorrido e apontou a China como uma possível mandante. O Kremlin também foi confrontado com uma investigação jornalística que aponta que uma equipe de especialistas em substâncias tóxicas do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB) está envolvida no envenenamento de Navalny, em agosto. A informação, baseada em dados de telecomunicações e viagens, bem como geolocalizações, identifica três agentes da unidade que seguiram o líder da oposição até a cidade de Tomsk, na Sibéria, onde foi envenenado com um agente do grupo Novichok.

Putin declarou durante a semana que Nalviny receberia apoio da inteligência americana e que se isso se confirmar será necessário observá-lo. E completou dizendo que, se em algum momento tivessem desejado matá-lo, teriam “feito todo o caminho”. Porém, as investigações deixaram o profissionalismo dos agentes especiais da Rússia em questão, como foi o caso do envenenamento de 2018 do ex-espião Sergei Skripal no sul da Inglaterra, quando outra investigação jornalística também revelou os nomes dos suspeitos no ataque de Novichok.

*Com informações da Agência EFE