Reino Unido e UE estendem prazo de negociações do Brexit

Segundo Ursula von der Leyen, ‘apesar da exaustão’ e do ‘estágio tardio’, os negociadores devem continuar as conversas

  • Por Jovem Pan
  • 13/12/2020 11h36 - Atualizado em 13/12/2020 11h47
EFEBoris Johnson

A União Europeia (UE) e o Reino Unido decidiram estender o prazo para o acordo comercial após o Brexit. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tinham estabelecido este domingo, 13, como período final para um avanço ou ruptura nas negociações. “Apesar da exaustão, após quase um ano de negociações e apesar do fato de os prazos terem sido perdidos várias vezes, nós dois acreditamos que é responsável, neste momento, ir mais longe”, declarou von der Leyen, ao comentar sobre uma ligação telefônica com Johnson realizada mais cedo. “Concordamos em demandar que os nossos negociadores continuem as conversas para ver se um acordo pode ser alcançado, mesmo nesse estágio tardio”, acrescentou. As negociações serão realizadas em Bruxelas, na sede da UE.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, elogiou o desenvolvimento e disse que deve ser feito de tudo para que um acordo seja possível. “O que queremos é um bom negócio, um acordo que respeite esses princípios de fair play econômico e, também, esses princípios de governança”, disse. Com menos de três semanas até a separação final entre Reino Unido e UE, questões-chave do relacionamento futuro entre o bloco de 27 nações e seu ex-membro permanecem sem solução, como regras de concorrência justa, mecanismos para resolver disputas e direitos de pesca.

Entenda o caso

A Grã-Bretanha deixou a UE em 31 de janeiro, mas permanece em suas estruturas econômicas até 31 de dezembro. Sem um acordo, o Reino Unido comercializará com o bloco nos termos da Organização Mundial do Comércio (OMC), com todas as tarifas e barreiras que isso traria. Por isso, o governo de Boris Johnson reconhece que uma saída sem as negociações traria um impasse nos portos britânicos, escassez temporária de alguns bens e aumentos de preços de alimentos básicos. As tarifas serão aplicadas a muitos produtos britânicos, incluindo 10% para carros e mais de 40% para cordeiros. No entanto, embora desejem um acordo, ambos os lados têm visões diferentes sobre o que isso implica. A União Europeia teme que o Reino Unido reduza os padrões sociais e ambientais e injete dinheiro estatal nas indústrias britânicas, tornando-se um rival econômico de baixa regulamentação. Por isso, exige garantias de “igualdade de condições” em troca de acesso a seus mercados. O governo britânico, por sua vez, afirma que a UE está tentando vincular o Reino Unido às regras e regulamentos do bloco indefinidamente, em vez de tratá-lo como uma nação independente.

*Com Estadão Conteúdo