Eleições nos EUA: Republicanos garantem transição após fala polêmica de Trump

Ontem, vários assessores do presidente tentaram desfazer qualquer mal-entendido e asseguraram que o resultado das urnas será respeitado

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2020 10h43
Kevin Dietsch/EFEDonald Trump é o atual presidente dos Estados Unidos

A recusa de Donald Trump em aceitar os resultados da eleição – fato raro na política americana – fez com que vários republicanos, incluindo Mitch McConnell, líder do partido no Senado, garantissem ontem que haveria uma transferência pacífica de poder. “O vencedor da eleição de 3 de novembro tomará posse em 20 de janeiro”, escreveu McConnell, no Twitter. “Haverá uma transição ordenada, assim como ocorre a cada quatro anos desde 1792.” A celeuma foi causada pelas declarações de Trump, na noite de quarta-feira, na Casa Branca. Ao ser questionado por jornalistas, ele se recusou a se comprometer com uma transição pacífica de poder caso seja derrotado. “Vamos ver o que acontece”, disse. Em seguida, o presidente sugeriu que a eleição terminará na Justiça. “Acho que isso vai acabar na Suprema Corte e, por isso, é muito importante termos nove juízes.”

Ontem, vários assessores do presidente tentaram desfazer qualquer mal-entendido e asseguraram que o resultado das urnas será respeitado. “Donald Trump aceitará os resultados de uma eleição livre e justa”, afirmou Kayleigh McEnany, porta-voz da Casa Branca. Logo depois, porém, Trump contradisse McEnany e voltou a questionar a lisura do processo eleitoral. “Queremos garantir que a eleição seja limpa, mas não tenho certeza de que isso seja possível”, afirmou o presidente. “Temos de ter muito cuidado com as cédulas, que podem ser parte de uma grande fraude.” Segundo analistas, estrategistas e pessoas ligadas ao presidente, a intenção de Trump seria levantar dúvidas sobre a legitimidade do processo, especialmente os votos por correspondência, para poder questionar depois o resultado na Justiça. Ontem, McConnell e alguns republicanos moderados, principalmente os que enfrentam as urnas em novembro, garantiram que aceitarão a derrota. “Somos os Estados Unidos da América. Não somos uma república de bananas”, disse o senador Dan Sullivan. “A transferência pacífica de poder é a marca da democracia americana”, disse a senadora Susan Collins.

Na Justiça

No entanto, alguns líderes mais próximos do presidente disseram que a disputa pode mesmo ser decidida na Justiça e, por isso, é urgente nomear uma substituta para a juíza Ruth Bader Ginsburg, que morreu na semana passada – a terceira indicação de Trump em quatro anos faria o presidente ter escolhido um terço do tribunal e deixaria os conservadores com uma maioria de 6 a 3. “Acho que as ameaças de judicialização da eleição são a razão mais importante pela qual devemos confirmar um nome para a Suprema Corte, para que haja uma bancada que possa resolver qualquer desafio eleitoral”, disse o senador Ted Cruz.

“As pessoas se perguntam sobre a transferência pacífica de poder Eu posso garantir que será pacífica”, afirmou o senador Lindsey Graham. “Eu prometo, como republicano, que se a Suprema Corte decidir que Joe Biden venceu, eu aceitarei o resultado. O tribunal decidirá. Se os republicanos perderem, aceitaremos o resultado.” A recusa do presidente em dizer claramente se aceitará ou não os resultados da eleição foi criticada pelos democratas. “Você não está na Coreia do Norte”, disparou a deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara. “É desse jeito que as democracias morrem”, afirmou o também deputado Adam Schiff. Já Chuck Schumer, líder dos democratas no Senado, disse que Trump é a “maior ameaça à democracia americana”. Para o senador Bernie Sanders, que foi adversário de Biden nas primárias, a única saída sem conflito seria é uma derrota incontestável do presidente. “Esta não é uma eleição entre Trump e Biden”, disse Sanders. “É uma eleição entre Trump e a democracia. E a democracia precisa vencer.”

*Com informações do Estadão Conteúdo