Rússia libera primeiro lote de vacina contra a Covid-19 para a população

Na última sexta-feira, 4, um estudo conduzido pela publicação científica “The Lancet ” já havia afirmado que a Sputnik V é segura, não possui efeitos colaterais severos e é capaz de produzir anticorpos contra a infecção causada pelo novo coronavírus

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 12h59 - Atualizado em 08/09/2020 13h00
EFE/EPA/RDIFVacina russa começará a ser aplicada na população em breve

O Ministério da Saúde da Rússia anunciou nesta terça-feira, 8, que liberou a sua vacina contra a Covid-19 para a população. Em comunicado, a pasta afirmou que o primeiro lote da Sputnik V, vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia, passou nos testes de qualidade e foi liberada para a comunidade civil. O Ministério russo, por outro lado, disse que a cura do novo coronavírus estará à disposição da sociedade em breve, mas não especificou as datas. “Existe uma vasta base de evidências de que a vacina é segura”, disse Denis Logunov, diretor do instituto Gamaleya. “A segurança foi o principal pré-requisito para seu registro”, completou.

Na última sexta-feira, 4, um estudo conduzido pela publicação científica “The Lancet ” já havia afirmado que a vacina russa é segura, não possui efeitos colaterais severos e é capaz de produzir anticorpos contra a infecção causada pelo novo coronavírus. Desta forma, a liberação Sputnik V acontecerá concomitantemente com os testes clínicos da Fase 3, que serão feitos em 40 mil voluntários, sendo que 30 mil receberão o imunizante e 10 mil receberão uma substância placebo.

A Sputnik V também terá uma versão para as crianças. Segundo Aleksandr Butenko, professor no Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamalyea, a dose precisará ser mais leve. “As crianças têm massa corporal diferente. Naturalmente, uma criança com peso de 20 quilos definitivamente precisa de uma dose menor do que um adulto com peso de 50, 60 ou 70 quilos”, comentou o cientista à agência de notícias Tass. O sistema imunológico de uma criança pode não estar suficientemente desenvolvido como o de um adulto. De uma forma ou de outra, todas as vacinas possuem classificações, para crianças e adultos”, complementou.

Apesar da versão adaptada da vacina russa, apenas pessoas com mais de 18 anos estão participando dos testes. De acordo com Buteko, o Ministério da Saúde da Rússia ainda está finalizando a documentação para obter um estudo com testes em crianças. No Brasil, as tratativas do governo do Paraná com a Rússia para possível acordo e obtenção da vacina Sputnik V contra a Covid-19 estão em “fase bem inicial”, segundo o diretor-presidente do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), Jorge Callado. Em entrevista à Jovem Pan no mês passado – quando foi indicada a parceria -, o executivo afirmou que a importação do imunizante, assim como o compartilhamento da tecnologia para fabricação da vacina, depende do resultados de testes clínicos e da autorização dos órgãos reguladores.