Farmacêuticas prometem rigor em testes de vacina contra Covid-19

Pfizer, GlaxoSmithKline e AstraZeneca estão entre as empresas que assinam o comunicado, que reafirma o “compromisso histórico de preservar a integridade do processo científico”

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 10h45 - Atualizado em 08/09/2020 10h49
REUTERS/Dado Ruvic//File PhotoVacina desenvolvida no Reino Unido está em fase 3 de testes

Nove empresas desenvolveras de possíveis vacinas dos Estados Unidos e da Europa prometeram, nesta terça-feira, 8, garantir a manutenção dos padrões científicos das imunizações experimentais contra o coronavírus. As farmacêuticas, entre elas Pfizer, GlaxoSmithKline e AstraZeneca, emitiram um comunicado conjunto com um “compromisso histórico de preservar a integridade do processo científico enquanto trabalham com vista a registros e aprovações regulatórias globais em potencial das primeiras vacinas contra Covid-19”. A medida incomum de prometer obedecer regras bem estabelecidas sublinha um debate altamente politizado sobre qual ação é necessária para refrear com rapidez a disseminação da doença mortal e reativar os negócios e o comércio mundiais. No mês passado, o chefe da Agência de Alimentos e Remédios norte-americana (FDA) disse que o processo de aprovação normal pode ser contornado para uma possível vacina, contanto que as autoridades se convençam de que os benefícios superam os riscos, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a pedir cautela.

No geral, desenvolvedores do mundo ainda têm que produzir dados de testes de larga escala, mas a Rússia concedeu aprovação a uma vacina contra Covid-19 no mês passado, levando alguns especialistas ocidentais a criticarem a falta de segurança e questionarem a eficácia do imunizante. Ao mesmo tempo, testes da possível vacina produzida na China continuam avançando. O chefe Sinovac Biotech disse que a maioria de seus funcionários e seus familiares já tomou a vacina experimental da empresa, desenvolvida graças ao programa de uso exclusivamente emergencial do país. “Queremos que se saiba que, também na situação atual, não estamos dispostos a comprometer a segurança e a eficiência. Tirando a pressão e a esperança de uma vacina estar disponível o mais rápido possível, também existe muita dúvida entre as pessoas de que algumas etapas de desenvolvimento possam ser omitidas aqui”, disse o cossignatário Ugur Sahin, executivo-chefe da BioNTech BNTX.O, parceira alemã da Pfizer, ressaltando a importância das etapas de segurança.

BioNTech e Pfizer aumentaram a perspectiva de revelar dados de testes cruciais em outubro, o que pode colocar o tema no cerne da agressiva campanha presidencial dos EUA antes da eleição de 3 de novembro. Segundo o comunicado divulgado nesta terça-feira, as nove farmacêuticas se comprometeram a seguir diretrizes estabelecidas por autoridades regulatórias especializadas, como a FDA. Entre outros obstáculos, a aprovação precisa se basear em testes clínicos amplos e diversificados com grupos comparativos que não recebem a vacina em questão. Os participantes e aqueles que trabalham no teste não podem saber a qual grupo pertencem, segundo o compromisso.

*Com Agência Brasil